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Alencar Garcia de Freitas: o novo “modelito” brasileiro

26 de novembro de 2013

O autor sugere alguns modelos para uso em Brasília na temporada.

Com a aproximação do verão brasileiro, Brasília acaba de lançar no mercado das confecções um novo “modelito” com listras, semelhante àquele usado pelos internos da Papuda. 

Permitam-me os especialistas em confecções masculinas, principalmente, apresentar algumas sugestões: a primeira é que o “modelito” seja feito de mangas e calças curtas.

O calor no Planalto, nesta época do ano, é muito alto. O boné pode ser o tradicional.



A outra sugestão é que tal “modelito” seja usado por quantos queiram solidarizar-se com os que ora estão – e com os que ainda deverão ir para lá – passando alguns dias de “férias” na Papuda.

Nesses dias de sacrifícios solidários, creio que deveriam ser dispensados os uísques e vinhos importados, suspensas as festas de fim de ano e as viagens internacionais. 

Afinal, em tempo de sacrifício solidário, valem apenas os choros e lamentos, que são normais nessas ocasiões! 

É uma solidariedade mais do que justa com os companheiros de infortúnio.
É assim mesmo: um dia é da caça, outro dia é do caçador.

Quando escrevo que os “companheiros” estão de férias na Papuda, sem dúvida estou pensando que os presos não ficarão lá por muito tempo e no pouco tempo em que lá se mantiverem terão tratamento muito diferenciado, como estão tendo, diferente dos demais que lá se encontram.

Há uns 40 anos, fui procurado por um irmão de igreja, pedindo que eu tirasse seu filho da prisão. 

Garantiu-me que o seu filho, com 15 ou 16 anos, era um menino de boa índole e não sabia como foi parar atrás das grades (naquele tempo ainda não existia o Estatuto do Menor e do Adolescente).

O pai e a mãe estavam sofrendo muito com a prisão do garoto. Aceitei a incumbência e lá fui falar com o delegado, um tremendo linha dura! 

Ele disse que ia atender meu pedido porque na verdade não tinha encontrado nada de errado na vida do menino. 

Estranhei a atitude do delegado e o censurei, perguntando-lhe: 

- se o menino não tinha nenhuma culpa no cartório, porque foi em cana? 

O argumento do delegado é que o menino foi preso porque estava em companhia de três meliantes dos mais perigosos.

Final da ópera: consegui tirar o menino da prisão.

Nesse caso vale mais do que nunca o ditado: diz-me com quem andas que te direi quem és!

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