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Rubens Pontes: médicos cubanos no Brasil, programa visto por dois ângulos diversos

12 de novembro de 2013
Sugestão de leitura do jornalista Rubens Pontes, Diretor de Conteúdo do Portal DOPC.

Rubens Pontes observa: "Sobre a presença de Médicos cubanos no Brasil, como toda questão, a dos Médicos também tem mais de um ângulo de visão".


Roberto Luis d'Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina.

Médicos Do Conselho Regional e do Sindicado de Pernambuco divulgam resultado da Caravana da Seca

Com a presença do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto dÁvila, as entidades médicas de Pernambuco – Conselho Regional e Sindicato dos Médicos – divulgaram o resultado da Caravana, realizada entre os dias 16 e 20 de setembro, nas nove cidades mais atingidas pelo processo da seca deste ano no Agreste e Sertão.

A água, o foco da Caravana da Seca, é um problema grave nos municípios, segundo os médicos.

A maioria da população só recebe água a cada quinze dias ou mensalmente, embora mantenha o pagamento da conta em dia. Muitos deles precisam comprar baldes e tonéis, que custam R$ 5 e R$ 10, respectivamente, ou pagar o valor de R$ 120 por um carro pipa.

Essa realidade atinge cerca de 60% dos entrevistados.

- "Isso sem falar na qualidade da água, que teremos o resultado do material coletado nos hospitais e escolas públicas na próxima semana", disse a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão.

Os médicos aguardam o resultado das análises bacteriológicas das amostras da água e, assim, poderão saber se há presença de bacilos ou coliformes fecais.

Também foram encontrados diversos problemas nas unidades de saúde e hospitais, assim como na merenda escolar.

- "Em Serra Talhada, por exemplo, a merenda escolar é só angu e leite e ainda é divida com o presídio. Precisamos saber da prefeitura o porquê disso. Por outro lado, em Caetés e Bom Conselho, as crianças comem arroz, feijão, carne, macarrão e frutas", questionou dÁvila.

Cerca de 27% dos professores, por sua vez, apresentaram pressão alta acima da média.

"Esse número pode estar relacionado ao estresse do ambiente de trabalho", afirmou dÁvila.

Nas escutas de rua, as entidades puderam concluir que metade da população diz ter sede e fome, tornando a vida mais difícil na Zona Rural, realidade que culmina com o desejo de 59% dos habitantes de sair de onde moram.

Diante dessa realidade, 52% afirmam não receber ajuda do governo.

-  "Não há acesso ao lazer, o consumo do crack e a violência doméstica têm aumentado e as obras da transposição estão paralisadas", disse dÁvila.

No setor da saúde quase todos os vínculos são precários.

- "Os contratos são feitos de boca, o médico não tem nenhuma garantia trabalhista e também não recebe os salários altíssimos que são divulgados", denunciou dÁvila.

Em Bom Conselho, Agreste de Pernambuco, o Hospital Monsenhor Alfredo Dâmaso, por exemplo, que atende cerca de 200 pacientes por dia, possui apenas um médico no plantão noturno durante quatro dias da semana.

- "Muitas vezes o profissional tem que trabalhar 48 ou até 72 horas seguidas para não deixar o plantão desfalcado", denunciou dÁvila.

Além disso, o hospital não possui material de reanimação na sala de parto e na sala vermelha. A equipe de caravaneiros detectou, ainda, que a unidade possui apenas uma enfermeira por dia e, muitas vezes, por apenas 12 horas.

O presidente do CFM aproveitou a ocasião para criticar o "abandono" do SUS e o Programa Mais Médicos.

- "Nos últimos dez anos, foram fechados 280 hospitais e 47 mil vagas de unidades básicas de saúde deixaram de existir. Além disso, o Governo Federal fechou 13 mil leitos de 2010 pra cá. Vamos enfrentar o factóide de que precisamos de médicos estrangeiros com fatos e contra eles não há argumentos", finalizou.

O resultado da visita e os relatórios da análise laboratorial da qualidade de água serão enviados às autoridades responsáveis como Secretarias Municipais de Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Ministério da Saúde, Gabinete da Presidência, Ministério Público estadual e Federal e Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Informe da Assessoria de Comunicação do Cremepe (Conselho Regional de Medicina de Pernambuco).

Folha de São Paulo tá dando:

10/11/2013 - 02h15
No agreste, pacientes agradecem médicos cubanos de joelhos

DANIEL CARVALHO
ENVIADO ESPECIAL AO INTERIOR DE PERNAMBUCO

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A demanda de médicos no interior do país é gigantesca e a cubana Teresa Rosales, 47, se surpreendeu com a recepção de seus pacientes em Brejo da Madre de Deus, no agreste pernambucano.

"Eles [pacientes] ficam de joelhos no chão, agradecendo a Deus. Dão beijos", afirma a médica, que atendeu 231 pessoas neste primeiro mês de trabalho dos profissionais que vieram para o Brasil pelo programa Mais Médicos, do governo federal.

No agreste, pacientes agradecem médicos cubanos de joelhos

O posto de saúde em que Teresa trabalha fica no distrito de São Domingos, região pobre e castigada pela seca.

Durante os últimos quatro anos, o posto não tinha o básico: médicos. Até o final de setembro, quando Teresa chegou ao distrito, quem andava quilômetros de estrada de barro até chegar à unidade de saúde sempre voltava para casa sem atendimento.

A situação se repetia a algumas ruas de lá, no posto onde o marido de Teresa, Alberto Vicente, 43, começou a trabalhar em outubro.

"Foi Deus quem mandou esse homem. Era uma dificuldade, chegou a fechar o posto por falta de médico", disse a aposentada Isabel Rocha, 80, que agora controla o diabetes sob orientação médica.

Alberto e Teresa integram um grupo de 400 cubanos que chegaram pelo Mais Médicos na primeira etapa do programa. Outros 2.000 dos seus conterrâneos começaram a trabalhar no dia 4 de novembro, 76 deles em São Paulo.

Uma terceira leva de 3.000 médicos da ilha chegou esta semana a cinco capitais. A previsão é que eles comecem a trabalhar em dezembro.

Eles têm alimentação e moradia fornecidas pelas prefeituras e recebem por mês entre R$ 800 e R$ 900 do governo federal. O restante da bolsa de R$ 10 mil mensais é distribuído entre parentes dos médicos e o governo cubano.

ATENDIMENTO

Alheia à polêmica salarial, a população lota os postos que há um mês estavam vazios, já que não havia médicos.

A agricultora Maria Inácia Silva, 69, havia visto um médico pela última vez em 2005.


Foto:  Daniel Carvalho/Folhapress
O médico cubano Nelson Lopez em Frei Miguelinho (PE)

Ela se disse impressionada pela forma como foi atendida pelo cubano Nelson Lopez, 44, novo médico do povoado de Capivara, em Frei Miguelinho (PE).

A diferença no atendimento está desde a organização dos móveis: a cadeira do paciente fica ao lado da mesa do médico, para que o móvel não seja uma barreira entre eles.

"Gostamos de examinar o paciente, dedicar um tempo a ele, considerá-lo gente", disse Lopez.

As filas e as consultas são longas. Ainda estava escuro quando Maria Inácia Silva chegou ao posto e ela só foi atendida na hora do almoço.

Passou cerca de meia hora no consultório e finalmente soube que as dores que sente se devem ao reumatismo.

"Ele é ótimo médico, apesar de estrangeiro. Em 69 anos, nunca vi um médico tão bom", disse Maria Inácia

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