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Tião Martins: Os cisnes de Brasília

22 de novembro de 2013
19 de novembro de 2013Crônicas

Todo mineiro é curioso e, mesmo que não admita, adora uma novidadezinha maneira.


Por isso, quando JK inaugurou Brasília, milhares de mineiros botaram o pé na estrada e foram conhecer a mais recente maravilha do mundo contemporâneo.

Uns gostaram tanto que por lá ficaram, dividindo a admiração com o então ministro francês da Cultura, André Malraux. Alguns voltaram, mas tão encantados que até hoje estimulam os amigos visitarem a cidade pelo menos uma vez.

Certo, mesmo, é que o incrível cenário de Brasília – apesar dos maus tratos que lhe deram os recentes governantes – encanta franceses, mineiros e baianos.

Há duas Brasílias, no mínimo.

Uma é a cidade artificial, a dos mensaleiros, negociantes de fofocas, assaltantes do poder e novíssimos ricos, que financiam os excessos das dondocas. E há a outra, a real, onde vive gente como as jornalistas Nina Rodrigues, de Natal; Glória Varela, mineira e universal; a escritora gaúcha Vera Pinheiro e o jornalista Silvestre Gorgulho.

É um bando de gente que se liga no futuro e ama a limpeza e a liberdade originais de Brasília.

Rubens Pontes, foto, e Amaury Machado, jornalistas que experimentaram o charme secreto da cidade e depois tomaram outros rumos, falam dela com um carinho muito especial. E nenhum dos dois aprecia as más companhias do Distrito Federal: os espertos, os malandros e os marotos, que povoam o lado sombrio de uma cidade cuja luz atrai gente limpa, mas ainda não soube se livrar de insetos venenosos.

Pelas mãos de Glória, Nina e Amaury, hospedeiros e cicerones em um fim de semana, este cronista que ama os domingos de sol, a cerveja e a ingênua maledicência pôde desfrutar desse lado limpo e saudável da cidade e torce para que ela recupere a paixão original, dos tempos de JK e Darcy Ribeiro.

Um dia, Brasília ainda irá expulsar os mercadores de fatias do poder, os morcegos gordos que se agarram às veias do Planalto, os políticos arteiros e outros vigaristas de menor calado.
São indivíduos que têm a leveza e graça de um rinoceronte cego e a sinceridade de um batedor de carteiras.

Rubens Pontes jamais perdoará, por exemplo, a inútil esperteza de quem se diz atleticano e acha que pode se congratular, impunemente, com o time do Cruzeiro, time que, segundo ele, “ocupa singularmente uma toca”.

Exemplo desse grupo é a dona Dilma Rousseff. Ela ouviu falar – com atraso – da força política do futebol e logo virou torcedora do Galo, desde criancinha. Mas ninguém lhe avisou para não cumprimentar também “os filhotes da Raposa” pelo título de campeões brasileiros.

Não entendeu nada, essa senhora, naturalizada gaúcha.

Até os cisnes de Brasília são fiéis. Mais fiéis que qualquer aprendiz de espertezas. E Rubens não disse, mas – mineiro desde que nasceu – sabe que “a esperteza, quando é demais, vira bicho e engole o dono”.

Fonte:
http://tiaomartinsbh.com/blog/2013/11/19/os-cisnes-de-brasilia/#comment-6212

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