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Rubens Pontes: A pioneira TV Itacolomi

12 de dezembro de 2013

O ano que termina assinala o aniversário de fundação da terceira emissora de televisão no Brasil, fechada para atender a interesses “maiores” no período de governos militares.

Foi a bordo de um avião na rota de Brasilia que o reencontro casual com um amigo, sentado numa poltrona a meu lado, reacendeu memórias de um período romântico que iria contribuir decisivamente para a evolução das transmissões televisivas entre nós.


A viagem foi rápida para cobrir tanta lembrança, principalmente para os bons e saudosos tempos da TV Itacolomi, onde trabalhamos, desde sua instalação, durante mais de 10 anos.

A emissora foi inaugurada em em 8 de novembro de 1955 , quase toda envolvida na base do entusiasmo quase amadorista de um grupo que então se formava, mas também na determinação de seus diretores, empenhados em criar em Minas um contraponto à hegemonia paulista e carioca.


- Tonhinho Horta na TV Itacolomi, foto do Museu Clube da Esquina. Não há registro do nome da cantora

Com as lembranças que afluem como um doce sopro de saudades, sou levado a render homenagem a um dos seus pioneiros a quem a TV Itacolomi deveu muito o sucesso que alcançou.

Seu diretor artístico, saudoso Fernando Barroca Marinho, possuía um “feeling” extraordinário e uma visão que ultrapassava o realismo da fase que marcava sua instalação, contaminando a todos com as fascinantes possibilidades por ele antevistas e que em pouco se tornavam possíveis.

O momento vivido era sempre menor para ele, voltado para as interrogações que ele mesmo respondia. Pessimismo não era sentimento por ele praticado.

Montou um “cast” que se tornaria em pouco tempo de primeira grandeza, com atores egressos de emissoras de rádio e convocados nos palcos dos teatros da cidade e até inexperientes funcionários que evidenciavam algum potencial.

Eventualmente, contava para isso com a experiência de atores dos quadros da TV Tupi, do Rio de Janeiro, convocados para participar de programas de teatro da emissora mineira.


- Marilton Borges (à frente do câmera-man Jean Brynner), trabalhando como produtor de um dos programas da TV Itacolomi, filial mineira da TV Tupi do Rio de Janeiro. Belo Horizonte, MG – 1979.

Espetáculos com uma hora de duração – o “Grande Teatro” – ainda com imagens em preto e branco, e a realização de transmissões de programas externos, eram uma ousadia para a época, causando surpresa até para os já experimentados dirigentes de emissoras da cadeia associada.

Foi ainda na década de 50 que se plantou a semente para a produção das novelas que constituem hoje o grande sucesso das emissoras de televisão.

Pioneiros espetáculos semanais em série foram apresentados graças à engenhosidade criativa de Barroca Marinho e, com o advento da TV em cores, se definiram, com os grandes musicais da época, como a maior atração para os telespectadores.

Tantos anos passados, desde o cancelamento da concessão da emissora, e a TV Itacolomi ainda é lembrada como referencia no campo do entretenimento sadio, sem qualquer tipo de apelação, tão comuns na programação dos nossos dias.

A TV Itacolomi foi “mãe” da TV Vitória, de João Calmon, aqui sediada, com a qual mantinha estreitos vínculos administrativos (Rubens Pontes).

Pitaco do Oleari

Não consegui uma foto sequer do Barroca Marinho. Mas achei essa coletânea de vinhetas da TV Itacolomi que certamente vão "balançar" o parceiro Rubens Pontes, que nela trabalhou mais de dez anos, além de ter sido por anos seguidos Diretor dos Diários e Emissoras Associados de Minas Gerais.

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