anúncio dopc

anúncio dopc

Rubens Pontes conta um pouco sobre O Binômio, que fez história na imprensa mineira

18 de agosto de 2014
O mineiro Rubens Pontes, nosso parceiro no Portal DOPC, resgata parte da história da imprensa mineira.

Ele toma como gancho a postagem "Mauro Santayana: A morte de Eduardo e a memória de Arraes" - http://nageral.donoleari.com.br/2014/08/mauro-santayana-morte-de-eduardo-e.html?showComment=1408364119003#c8580077445052282090 - feita sábado, dia 16.

Ele inicia assim o período em que, do outro lado, conviveu com Santayana e com os criadores do combativo jornal mineiro.

(*) Só quero companheiros que discordem de algumas das minhas opiniões, mesmo que isso lhes custe o emprego.

Quem disse mais ou menos isso foi Samuel Goldwyn, o criador da cinematográfica MGM, Metro Goldwyn Meyer, e não nosso preclaro diretor do Portal DOPC.

Convivi com Mauro Santayana e com o "Binômio" em Belo Horizonte.

Santayana, jovem e agressivo repórter, ganhou notoriedade quando se internou, simulando loucura, no Sanatório Hugo Werneck para recolher, ao vivo, subsídios para uma reportagem sobre o desumano tratamento imposto aos internados no manicômio.

Sua matéria teve repercussão mundial.

Depois disso, trabalhou em órgãos da imprensa mineira, do Rio e de São Paulo e foi correspondente de jornais brasileiros em países da Europa, sediado, creio, na então Tchecoslováquia.

Voltei a encontrar Mauro Santayana em Brasilia.

Ghost-Writer, redigiu alguns dos melhores pronunciamentos de parlamentares no Congresso Nacional (cobrando em dólar por página escrita).

Binômio

O "Binômio", dirigido por José Maria Rabelo e Euro Arantes, foi criado para fazer oposição ao então governador Juscelino Kubtischeck.

A plataforma de governo de Juscelino era o binômio energia e transporte.

À época, eu era membro da assessoria de imprensa do Governo de juscelino, o que não impediu meu bom relacionamento com José Maria Rabelo e Euro Arantes.

Mais tarde, o "Binômio" - o "O Pasquim" mineiro - tornou-se uma espécie de porta-voz da oposição aos governos militares.

Atuando no under-ground, o jornal sobreviveu até o dia em que, durante uma discussão
com um oficial estrelado do Exército, José Maria Rabelo o agrediu com um soco.

Na mesma semana, a redação do jornal, situada na Rua Curitiba, no centro da cidade de Belo Horizonte, foi empastelada por um grupo de militares.

Máquinas de escrever, arquivos, tudo o que ali se continha foi atirado pela janela do quarto andar do edifício.

José Maria Rabelo teve que procurar refúgio - imaginem! - no Palácio da Liberdade
ocupado por Magalhães Pinto, o líder civil da revolução, até conseguir fugir da cidade,
vestido de padre, para se exilar no Chile de Salvador Allende.

Mais tarde,ex-companheiros se cotizaram para comprar passagens para que a mulher dele e seus 4 filhos fossem se encontrar com ele no exterior.

Quando retornou ao Brasil, foi um dos assessores de Leonel Brizola e, mais tarde, nomeado diretor do
Banco do Estado do Rio de Janeiro em Belo Horizonte, podendo com isso recompor sua vida.

Ambos, Mauro Santayana e José Maria Rabelo, continuam atuantes na área do jornalismo (Rubens Pontes).

Nota da redação
- em próximas postagens Rubens Pontes mostra duas matérias sobre a história do Binômio.

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49