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Blog Casa do Joca tá dando: O desafio da comunicação

30 de março de 2015
Foto: Leonardo Sá/Porã, do http://seculodiario.com.br/


O que há em comum entre os debates do projeto Escola Viva e a baderna em Jardim da Penha? 
Nas duas situações, faltou gestão de comunicação pelo poder público.


Entre a demora do governo do estado em perceber o nó em que estava se metendo e a prefeitura municipal e o problema vivido pelos moradores da rua Artur Czatoriski?

Nas duas situações, faltou gestão de comunicação pelo poder público.

O governo do estado, sem escutar ninguém, enviou um projeto de lei que, além de criar cargos, só delegava autoridade ao próprio executivo estadual para fazer o que bem entendesse (ver O diabo mora nas entrelinhas, em http://nageral.donoleari.com.br/2015/03/joca-simonetti-diabo-mora-nas.html).

Ouviu da sociedade - especialmente estudantes e professores - que ela não quer ser cobaia, mas quer participar da construção desse novo projeto.

A prefeitura municipal demorou a ouvir seus próprios mecanismos de comunicação. Quantas denúncias certamente houve ao Disque Silêncio sobre os problemas de barulho em Jardim da Penha antes dessa semana? Quantas demandas feitas ao telefone 156? Várias, certamente. Provavelmente muitas.

No caso estadual, se o governador Paulo Hartung não se notabilizou por ser um condutor de diálogos, também não foi como surdo que construiu sua vitoriosa vida política. No entanto, não soube, ou não souberam seus assessores, perceber que a sociedade não aceita mais o papel de boiada — quer ser protagonista.

Na cidade de Vitória, o prefeito Luciano Rezende constrói, ou busca construir, sua administração com a marca do diálogo: promove reuniões na comunidade e responde, pessoalmente o prefeito, aos problemas que afloram na cidade (como aconteceu no caso da baderna em Jardim da Penha). No entanto, como no caso (reportado na coluna Victor Hugo de A Gazeta) do cidadão que solicitou uma informação ao 156 em junho de 2012 e recebeu a resposta em março de 2015, a prefeitura foi incapaz de ouvir a cidade.

Nos dois casos, falhou a comunicação. Falhou a gestão da comunicação no poder público. Nos dois casos, a comunicação é conduzida por profissionais competentes e com anos de estrada e experiência. Mas o hábito do cachimbo entorta a boca.

Historicamente, as secretarias de comunicação cuidam do relacionamento com a imprensa e da publicidade. É fundamental que nós, profissionais de comunicação, percebamos que nosso papel é maior que esse. Pouca atenção é dada aos mecanismos de interlocução direta com a sociedade — tanto as redes sociais, tão na moda, como os telefones de reclamação, os profissionais que atuam na relação direta com os moradores etc.

Outro exemplo comum da ausência de gestão da comunicação com a sociedade são as intervenções urbanas. Obras são feitas na frente da casa das pessoas, sentidos de trânsito de ruas são alterados e o poder público não dá ao morador a dignidade de informá-lo o que está sendo feito, porque está sendo feito, quando fica pronto, com quem devo entrar em contato caso tenha uma dívida, uma reclamação.

E as assessorias de comunicação, historicamente e ainda hoje, acreditam que não devem ser os gestores desse processo — talvez até haja entre os assessores quem ache que é assim mesmo (Joca Simonetti).





Joca Simonetti é jornalista

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