anúncio dopc

anúncio dopc

Blog Casa do Joca tá dando: Porteira fechada

8 de abril de 2015
quarta-feira, 8 de abril de 2015

...é preciso, mais do 
que "aceitar e praticar", 
"debater e construir".

O debate mais importante, no momento, é o da Escola Viva. A quem serve? Para quê serve? Qual o interesse de quem paga? Como, afinal, se pretende que funcione? O que não funciona? São muitas as perguntas sem resposta. Debate que o governo faz de tudo para escamotear.

A cada aparição para tratar do assunto, sobram do governo lugares comuns e chavões. Faltam consistência de posicionamento e clareza nas respostas - se é que podemos chamar de resposta as inúmeras voltas que o porta voz do governo dá para não responder, de fato e concretamente, o que lhe é perguntado.

Das voltas que o governo dá para dizer que quer diálogo, só não quer ouvir nem mudar de opinião. O pior da estratégia governista tem sido a vontade de desqualificar os interlocutores — tratados ou como quem é contra que se ofereça educação de qualidade aos jovens, ou como quem nada sabe, desconhece a realidade e fala por falar.

Mas não são as estratégias de ocultação do governo que quero comentar. Prefiro tentar ver o que ele não quer mostrar.

Primeiro, devemos lembrar que quem paga a conta, escolhe o que será servido. Nesse caso, quem paga a conta é o Movimento Empresarial Espírito Santo em Ação — entidade que reúne as principais empresas em atuação nosso estado e que, nem de longe, podem ser definidas como tendo entre seu principal interesse o bem público.

A propósito, se criticamos o financiamento empresarial das campanhas políticas, porque aceitar o financiamento empresarial do Estado?

Segundo, e mais importante, é observar o que afinal propõe o tal ICE, Instituto de Co-Responsabilidade pela Educação.

A pedra angular da metodologia proposta pelo ICE é a Tecnologia Empresarial Socioeducacional, um bicho com muitos braços e uma ideia só: "A gestão de uma escola em pouco difere da gestão de uma empresa", como descrito no Manual Operacional do programa.

A tal Tecnologia Empresarial Socioeducacional é uma adaptação da Tecnologia Empresarial Odebrecht e tem o objetivo de "formar uma consciência empresarial humanística nos componentes da organização [escolar]", seja lá isso o que for.

Essa tecnologia, segundo o ICE, "exige uma verdadeira desconstrução de conceitos e paradigmas para entender, aceitar e praticar seus postulados", o que talvez explique a resistência do governo em debater o programa Escola Viva. Afinal, "aceitar e praticar" não admite discordar nem transformar.

Ao longo do Manual, diversos postulados reforçam aquela ideia central que trata educação e lucro (finalidade de qualquer empresa) como semelhantes: "A educação de qualidade deve ser o negócio da escola"; "Atitude Empresarial (...) A escola deve pensar como empresa".

Não se trata, aqui, de recusar a ideia de que a gestão pública pode se apropriar de técnicas e conceitos desenvolvidos na gestão privada para aprimorar seus resultados (e vice-versa) mas de que não se pode igualar as coisas, tratar um como outro e de que é preciso, mais do que "aceitar e praticar", "debater e construir".

Terceiro, sobram dúvidas sobre como o governo conduzirá as questões práticas relacionadas à implantação da escola de tempo integral. O projeto de lei complementar enviado à Assembleia não normatiza os aspectos mais básicos da implantação do programa, mas pretende que seja dado um cheque em branco para que o governo faça o que bem entender, como já analisamos em "O diabo mora nas entrelinhas" - leia no linki http://nageral.donoleari.com.br/2015/03/joca-simonetti-diabo-mora-nas.html
 .





Joca Simonetti é jornalista

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49