anúncio dopc

anúncio dopc

Casa do Joca tá dando: O mensageiro

5 de maio de 2015
"não nos representa, não nos representa!", dizia a platéia ao secretário de Cultura, João Gualberto Vasconcelos.


Por João Carlos Simonetti


A reunião extraordinária do Conselho Estadual de Cultura aconteceu no auditório do Carmo. Lotado, apesar de o governo ter mudado o local apenas uma hora e 30 minutos antes.

A reunião começou ao som de palavras de ordem: "não nos representa!", cantadas a plenos pulmões e endereçadas ao secretário de Cultura, João Gualberto Vasconcellos.

Seguiu-se a leitura de um manifesto no qual foram apresentadas as reivindicações do movimento #OcupaSecult, que desde a semana passada acampava na frente da Secretaria. "Vou levar o documento ao governo, não tenho poder para decidir", foram, em linhas gerais, as palavras do secretário, sem assumir compromisso com nada.

Entre as reivindicações apresentadas, destaco duas:
O investimento de 11 milhões de reais de recursos públicos para os editais FunCultura, garantindo oito milhões para os editais com vinham sendo praticados e mais três milhões para os "editais transversais" que o atual governo propõe e que tem mais objetivos de ação social que de cultura.
Garantia de criação de um Fórum Permanente de Cultura Estadual para o diálogo contínuo entre Secretaria, artistas e sociedade civil sobre as políticas e ações do governo, incluindo o orçamento da Secretaria de Cultura, para além dos editais.

O movimento que reuniu, neste 4 de maio, cerca de 250 pessoas, congrega, ao lado dos jovens — protagonistas do movimento — velhos guerreiros da cultura: Orlando Bomfim, Cezar Baptista, Tião Xará, José Augusto Loureiro, Chico Lessa, Marcos Valério, Celso Adolfo e muitos outros combatentes experientes. A união das gerações e dos diversos segmentos artísticos são o lado positivo desse momento de crise.

"E aí, querido?"

A reunião caminhava para o fim, após a manifestação de muitas pessoas (quase todas cobrando do secretário uma resposta, uma posição que não fosse a de levar o recado ao governador), quando o secretário foi instado a falar novamente: dessa vez não só sobre as reivindicações da carta-manifesto, mas também sobre a proposta de que a próxima reunião do Conselho de Cultura, agendada para quinta-feira, acontecesse no Teatro Carlos Gomes, viabilizando a ampla participação popular.

Além de repetir "vou levar o documento ao governo, não tenho poder para decidir", o secretário também afirmou que não podia garantir a realização da reunião no Teatro Carlos Gomes, um espaço administrado pela própria secretaria. Foi o que bastou.

Daí até o final, o público não conteve mais a impaciência com a falta de iniciativa do secretário. Muitos falaram quase de dedo em riste. Na mais bem humorada das cobranças a essa altura, o palestrante da vez soltou um "e aí, querido?", para o secretário, verbalizando a cobrança de todos para que o secretário agisse como tal, e não que escamotasse de suas responsabilidades afirmando que nada pode decidir, que levará a mensagem ao governador sem nem assumir o compromisso de bater-se pelas propostas apresentadas pelo movimento, sem, sobre elas, emitir qualquer juízo de valor.

Ao final, após a reunião ser burocraticamente encerrada porque batera as cinco horas da tarde, o secretário saiu como entrou, mudo. Saiu também debaixo do cântico: "não nos representa, não nos representa!", que, a essa altura, não era mais uma palavra de ordem, mas a descrição de um secretário que não sabe a razão de ser da sua pasta.

Fonte:

http://casa-de-joca.blogspot.com.br/2015/05/o-mensageiro.html


João Carlos Simonetti é jornalista

Publica o blogui Casa do Joca

Leia também: Caiu do caminhão de mudança

http://nageral.donoleari.com.br/2015/04/blog-casa-do-joca-ta-dando-caiu-do.html

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49