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Prisidanta Dilma não recebe mulheres de opositores venezuelanos

8 de maio de 2015
A presidente não atendeu ao pedido 
de audiência das venezuelanas.

  • O Globo
  • ANDRÉ DE SOUZA E JESSICA MOURA

- BRASÍLIA - Depois de passar dois dias pedindo para falar com a presidente Dilma Rousseff e cobrando atenção do governo brasileiro para os políticos presos na Venezuela, Lilian Tintori e Mitzy Capriles, mulheres dos detidos, receberam a promessa de serem recebidas por um embaixador que chefia o Departamento de América do Sul no Itamaraty.

Por escrito, o Palácio do Planalto também respondeu a uma carta enviada a Dilma pelas duas venezuelanas. Assinada pelo chefe de Gabinete da presidente, Álvaro Henrique Baggio, a carta diz que o governo brasileiro vem buscando soluções pacíficas para a crise política na Venezuela.

A presidente não atendeu ao pedido de audiência das venezuelanas, no entanto.

Por ANDRÉ COELHO

Pressão. Mitzy Capriles ( à esquerda) e Lilian Tintori (no centro) são recebidas na Câmara junto com Rosa Orozco, que teve filha morta em manifestação anti-Maduro


Ontem, Lilian e Mitzy voltaram a se encontrar com políticos da oposição no Brasil e participaram de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

As duas criticaram o governo do presidente Nicolás Maduro. Mais direta e incisiva, Lilian cobrou uma posição mais clara do governo brasileiro, acusado pela oposição de estar se omitindo na questão. Segundo Lilian, não deve haver “dois pesos, duas medidas”.

— "Necessitamos de ajuda de outros países da região. O que acontece na Venezuela se reproduz em outros países da região. Por isso é tão importante pronunciamentos claros, contundentes, precisos, sem dois pesos e duas medidas. E pedimos que o Brasil se levante, faça ouvir sua voz e nos ajude a levantar essas duas bandeiras: a bandeira da democracia e dos direitos humanos — afirmou Lilian.

RECEBIDAS NO SENADO

Lilian Tintori é mulher de Leopoldo López, ex-prefeito do município de Chacao, preso desde fevereiro de 2014.
Mitzy Capriles é casada com o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, detido em janeiro por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin). Os dois fazem oposição ao governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Antes de chegarem à CRE, elas foram recebidas pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

— "A omissão do governo brasileiro em relação à escalada do autoritarismo na Venezuela é vergonhosa. Nos atinge a todos enquanto cidadãos que somos e democratas que devemos permanentemente ser — afirmou Aécio.

No início da noite, o chanceler Mauro Vieira avisou que as venezuelanas serão recebidas pelo embaixador Clemente Soares, diretor do Departamento da América do Sul. Mas o encontro com o representante do Itamaraty ainda não foi marcado.

Mauro Vieira disse que mantém contato com as autoridades venezuelanas para assegurar a realização das eleições parlamentares:

— "Mantive contato com diversos políticos da oposição venezuelana, membros da Mesa da Unidade Democrática dentre os quais, Henrique Capriles. De todos ouvi o apoio consensual de eleições parlamentares no segundo semestre deste ano. Também nos reunimos com autoridades do governo venezuelano, inclusive o presidente Nicolás Maduro, a presidente da Suprema Corte e a presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela. De todas essas autoridades, recebemos extensas garantias da convocação das eleições este ano nos termos da legislação venezuelana — disse o embaixador.

Além disso, Vieira afirmou que uma comitiva de parlamentares que compõem a comissão especial do Senado sobre a Venezuela deve viajar ao país para avaliar a situação política do local até o final de março. O ministro negou que a viagem seja uma forma de intervenção no país:

— "É mais do que natural. São muitas as missões externas em distintas áreas e países sobre distintos aspectos. Não é nada de excepcional que haja essa visita que é de tomada de contato com a realidade local. O Legislativo venezuelano deve criar o grupo de amizade Brasil-Venezuela para a realização dessa visita, que vai ter o apoio do ministério e de órgãos do poder venezuelano — disse o ministro.

Fonte:
http://oglobodigital.oglobo.globo.com/epaper/viewer.aspx?noredirect=true

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