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Os sessenta anos da coluna de Hélio Dórea, o bom baiano

24 de junho de 2015
Coluna

Diagonal - Oswaldo Oleari

- Atendimento nas casas lotéricas é cada vez pior


Ia mandar um imeil ou uma mensagem para cumprimentar o colunista e sua longeva coluna.

Achei chato.


Pensei: "caramba, um mero imeil ou uma "msg" pelo maledeto feissibuqui, é pouco prum momento tão
importante e prum personagem tão expressivo e de tanta história na imprensa do Espírito Santo.

Decidi que deveria dedicar algumas linhas aqui na coluna, multiplicada nas redes soxuais da inferneti para falar sobre um cara chamado Hélio Dórea.

Convivemos durante anos, lado a lado, no jornal A Gazeta. 

Ele, com sua coluna de grande audiência no público top, eu com minha Diagonal brincando com os fatos, as pessoas, batendo aqui e ali e contestando sempre que possível.

Sempre foi impossível não conviver com Hélio Dórea. Nunca fomos próximos, talvez tenhamos feito um ou outro trabalho juntos,
mas estranhamente - para alguns - Hélio, apesar do seu amplo prestígio junto às classes produtoras e no grand monde, era também um cidadão que cultiva o espírito de classe profissional.

Foi um dos maiores apoiadores da ressurreição da Associação dos Jornalistas Profissionais do ES, que promovi logo ao retornar de quase cinco anos morando em São Paulo.

Tornei-me presidente da Associação dos Jornalistas, sendo sucedido por Hélio, que fez um trabalho surpreendente. Foi o criador da Casa do Jornalista, no alto da rua Graciano Neves. Com seu prestígio, dotou a casa de todas as instalações necessárias a uma casa para abrigar jornalistas locais ou de fora, todos sem residência fixa.

Por um certo tempo, lá moraram vários jornalistas, alguns vindos de outros estados para o jornal A Tribuna. Dos locais, que me lembro, um dos que lá residiram algum tempo, foi o nosso querido Paulo Maia.

Os de fora do ES, lembro-me de Vinícius Seixas, Cláudio Bueno Rocha, entre outros.



O jornalista Helio Dorea discursando no plenário da Câmara Municipal de Feira de Santana (Ba), ao receber  a Comenda Maria Quitéria.


A Casa do Jornalista era bem organizada e oferecia confoto a seus residentes.

No momento da transformação da Associação em Sindicato, Hélio também apoiou e participou ativamente, tanto quanto o saudoso José Luiz Hollzmeister, Gutman Mendonça, Paulo Rogério de Souza, Élcio Álvares (então, governador do EStado).

Hélio Dórea nunca carimbou ninguém com qualquer selo. Era solidário geral com qualquer um colega, fosse de que posição política fosse.

Muitas vezes socorreu colegas em dificuldades financeiras, quando tinha conhecimento por terceiros de um caso ou outro, como sei de alguns.

Nunca fez alarde por ajudar a colegas em dificuldades. Como nunca cultivou o preconceito que alguns jornalistas dedicavam a ele, por ser um cara bem relacionado, de sucesso, e muito muito muito trabalhador.

Ao contrário. Na hora do pegapracapá do golpe de 1964, Hélio foi um dos primeiros a ajudar a colegas em dificuldades, catalogados como comunistas, a dar um tempo em outras paragens, para aguardar a poeira a baixar.

No meu caso pessoal, sempre nos demos muito bem porque sempre nos respeitamos, antes de tudo, como pessoas, como gente, como trabalhadores.


Hélio, Regina Dórea e Juscelino Kubitschek



Lembro-me que editamos uma revista por volta de 1994, em que eu e os jornalistas Lena Mara e Adolfo Miranda Oleare nos propúnhamos a uma proposta profissional de qualidade e com conteúdo, diferenciada do que existia no mercado.

Decidimos por abrir cada edição com entrevistas com gente. Fizemos duas entrevistas históricas na imprensa do ES pela forma, pelo conteúdo e por perguntas ousadas que fazíamos aos entrevistados.

Uma, com o empresário Américo Buaiz Filho, cujos familiares e assessores deixaram gravado:

- Nunca fizeram uma entrevista assim com o Mequinho.

A outra, com Hélio Dórea, que também jamais havia sido entrevistado de tal forma, relatando episódios desconhecdos de sua vida com a família da Bahia, sua curta trajetória pela odontologia e seu percurso de êxitos pela imprensa.

Nunca nos esquecemos de um agradecimento dos seus filhos, expressado pela Hélia Dórea.

- Obrigado pelo que vocês fizeram por nosso pai.

Hélio está aí, firme e forte, com uma coluna sessontona. Mais que isso. Uma coluna que soube trabalhar o público a quem era dirigida e se tornou uma potente voz em defesa do desenvolvimento do ES. Apoiou decisivamente a construção da Rodovia do Sol, que nasceu na coluna Poltrona B, do nosso querido Cacau Monjardim.

Campinho, Domingos Martins/ES, explodiu na coluna do Hélio. O Curso de Comunicação da Universidade Federal do ES nasceu de campanha cerrada feita por sua coluna.

Sempre escrevi e dou aqui um repeteco, tripeteco, sei lá: Hélio Dórea e sua coluna fizeram mais pelo Espírito Santo do que uma oba horda de políticos e gestores incompetentes, que fizeram a vida às custas do erário público.

Talvez, por isso mesmo, e pela sua eterna cordialidade no trato com gente, Hélio tenha uma marca indelével no seu currículo.

"O bom baiano", como sempre foi tratado carinhosamente, é um cara gente pracaramba chamado Hélio Dórea.

Casas lotéricas

Se há um setor do mundo dos negócios para quem não existe crise são as casas lotéricas, podem ter certeza.


Nosotros, os brasilerim da silva, enchemos as lotéricas todos os dias, atrás do sonho de ganhar alguns milhões no Cassino Brasil, que acaba de aumentar também os preços de todos os jogos.

A megasena subiu 40 %, uquié um roubo. Mas, como dizia minha mãezinha Dona Leó, ladrão que rouba ladrão...

O movimento não diminui, mas o atendimento generalizado é cada dia pior. As casas lotéricas estão cheias de pessoas vazias, sem a menor noção do que é lidar com gente. 

Há senhoras mal educadas, de cara fechada, que parecem trabalhar com raiva -do trabalho e das pessoas que atendem.

Dia desses numa lotérica de Jardim Camburi, uma senhora sempre muito mal encarada começou a falar alto comigo, ao fazer a ela um pergunta corriqueira sobre um bilhete.

Subi no salto e perguntei:

- A senhora está nervosa?
Ela disse que não, resmungou qualquer coisa e eu parti pra cima, falando bem alto para que todos ouvissem.

- Se está, pode falar baixo comigo que não sou surdo.

Os demais atendentes se entreolharam e eu sai aplaudido da lotérica. Pelo menos três pessoas disseram "muito bem" e um cara me disse:

- Gostei. Outro dia, eu mandei ela se fuquiorselve...

Outro disse qualquer coisa ligada a temas soxuais mal resolvidos.

Os donos de lotéricas nuntão nem aí. A Caixa, muito menos. Tá fazendo e andando. E o povaréu que se fubeque sendo  maltratado nas filas (Oswaldo Oleari).

donoleari@gmail.com

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