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Sebastião Nery: Blatter e Valcke transformaram a Fifa numa verdadeira máfia

16 de junho de 2015
Sugestão de leitura 
de Márcio Cremona, 
nosso colaborador carioca






Dia de festa em Limoeiro, Pernambuco. O time da cidade ia jogar com o escrete de Garanhuns, disputando o primeiro lugar no Campeonato Intermunicipal. O coronel Chico Heráclio chegou todo de branco, sentou-se na sua cadeira de vime, a partida começou.

Primeiro tempo, segundo tempo, nada de gol. Zero a zero. Cinco minutos para acabar o jogo, o juiz, que tinha ido do Recife, marcou pênalti contra Limoeiro. A torcida endoidou, invadiu o campo. O juiz correu para junto do coronel Heráclio com medo de ser linchado. O coronel levantou a bengala, todo mundo parou:

– O que é que houve, seu juiz?

– Um pênalti que eu marquei, coronel.

– O que é esse negócio de pênalti?
– É quando o jogador comete uma falta dentro de sua própria área. Aí, a bola fica ali naquela marca, em frente à trave e um jogador adversário chuta. Só ele e o goleiro.
– E faz o gol, seu juiz?
– Geralmente faz, coronel, é difícil goleiro pegar pênalti.
– Muito bem, seu juiz. Sua explicação é muito boa. E eu não vou tirar sua autoridade. Já que houve o tal do pênalti, faça como a regra do futebol manda. Só que o senhor, em vez de botar a bola na frente da trave de Limoeiro, faça o favor de botar do outro lado, em frente à trave de Garanhuns e mandar um jogador daqui da cidade chutar.
– Mas, coronel, isso é contra a lei.
– Pois já ficou a favor. Aqui em Limoeiro a lei sou eu.

Limoeiro chutou, Limoeiro ganhou.

MUJICA

O sempre brilhante e verdadeiro ex-presidente do Uruguai, José Mujica, definiu magistralmente o escândalo da Fifa:

– “É um punhado de velhinho ladrão”.

Os coronéis da Fifa são muito diferentes do coronel de Limoeiro. O coronel Chico Heraclio roubava no jogo, no esporte, na brincadeira. Os coronéis da Fifa roubam no cofre, no orçamento, nos tesouros nacionais.

O inexplicável é que, quase todos já tão velhinhos, com mais de 80 anos, ainda continuem roubando, roubando, insaciavelmente roubando.

BANCO CENTRAL

Mais uma vez o Banco Central estuprou o país com seus escandalosos aumentos de juros, já os mais altos do mundo. Novidade nenhuma. No Brasil, Banco Central existe para isso: garantir cada vez mais juros escorchantes para os banqueiros.


Eles dizem que aumentam os juros para derrubar a inflação. E quanto mais os juros sobem, mais a inflação também sobe. De duas uma: ou são idiotas demais ou espertos demais. Como não são idiotas, são é espertos.

O economista Amir Khair, em “O Estado de São Paulo”, escreve que só no primeiro trimestre (janeiro-fevereiro-março de 2015) “as despesas com juros atingiram R$ 85 bilhões. Dado ainda mais estarrecedor é o aumento neste primeiro trimestre da dívida bruta: R$ 227,8 bilhões! 

No passado, o economista foi fundador e ativo militante do PT.

Para o ano de 2015, o ex-ministro Delfim Neto (muito consultado por Lula e Dilma), afirma que os juros para pagamento da dívida pública serão R$ 400 bilhões. A dívida bruta em relação ao PIB representará 63%, sendo responsável direta pela enormidade dos recursos transferidos para o sistema financeiro, os bancos, o que eles chamam de “mercado”. Os títulos da Dívida Pública ficam com os bancos. Cada aumento de juros é uma farra.

Segundo Relatório do Tesouro Nacional, em abril a Dívida Pública Federal era de R$ 2,452 trilhões. E só vem crescendo. Os números da economia afetam a realidade social, atingindo fortemente o equilíbrio na distribuição da renda. O resultado é taxa de desemprego crescente, afetando a vida do brasileiro para pior. E queda real do salário para quem está empregado. 

A retração no consumo é consequência direta. A fraqueza da economia leva milhares de famílias a situações desesperadoras.

CRACK NO MUNICIPAL

Na “Folha”, a experiente Paula Cesarino conta “A Batalha do Crack”:

– “Ao som de uma batida forte o jovem se arrasta no palco escuro… Entra o funk…

-“Uma noite chuvosa/ Acordei embaixo do viaduto/ Gosto de enxofre na boca/ Cheiro de esgoto na roupa/ Parecendo um zumbi /Eu cheguei a confundir/Sangue com ketchup/, Antares com Hollywood”.

“O público, na maioria negro e jovem, ovaciona, grita, se emociona.

“A descrição aflitiva da rotina do viciado no funk na “Batalha do Crack” transformou o Teatro Municipal do Rio… Graças a um festival de dança de rua, agora conheceu a devastação provocada pelo crack”.

A “Batalha” se encerra com um verso sucinto:

– “Nem a guerra do Iraque/É mais forte que o crack”.

Ao final uma espectadora foi interrompida pelo filho:
“- Mãe, assistimos a um evento histórico, não a um espetáculo teatral!”. Ele havia compreendido tudo”. Ele e os leitores da “Folha”.

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