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Diagonal - Oswaldo Oleari: A onda musical da velha província é o cauntrilixo-niubreganejo

21 de julho de 2015
Pitaco do Oleari:

A cronicascatinha abaixo foi escrita tempim atrás e publicada no Caderno Dois de A Gazeta, no período editado pelo jornalista José Roberto Santos Neves. 
Continua atualíssima. Quem não concordar que atire as primeiras letras lá embaixo em "comentar" (OO).




Sabem? Tenho minhas dúvidas. Ainda bem que a velha bossa nova pintou há cinqüenta anos e um tiquim por aqui. Nestes tempos bicudos, dificilmente teria qualquer chance.

A música que rola no pedaço e na periferia é um luxo só, digo, é um lixo só, parodiando o velho e sempre bom Ary Barroso.

Teríamos nós, os da pretensa classe média filha da ditadura dos milico de 64, emburrecido?

Com certeza, não só emburrecemos como acabamos contaminados pela supremacia da “muderna techinologia”, que torna trolhas eletrônicas obsoletas de um ano para outro, e da televisão dos “biguibrodi” campeões da esperteza, das coxudas e das bundudas, que desaguam fatalmente nas páginas da “preiboi”, como diz um jornaleiro do meu pedaço.

Abre parêntesis. Incluo-me nessa classe média com uma certa dose de arrogância, pois, no duro, no duro, minha classe social sempre me soou meiqui indefinida.

Sempre pensei em ser média de média pra cima, mas meu desconfiômetro sempre me pôs no meu devido lugar: um reles classe média ladeira abaixo, passando de B pra C e pra D.

E se não segurar, ô meu, despenca pra E, indo vazar lá na Z e no bolsa pouco família. Fecha parêntesis, esse recurso maravilhoso pra arremedo de cronista nenhum botar defeito e permitir encaixar o que esqueceu logo depois de ter começado o textim.

Bem, mas isso daqui já começa a parecer um tratado geral sobre o nada. E não será, talvez? São muitas interrogações, diria o Rei Roberto, rei da censura explícita...

Dêem uma repassada com o digitador destas linhas, como fizemos, o Eleisson de Almeida, o Osvaldo Lorencini e eu: as grandes atrações musicais que rolam nos “Emirados Unidos do Espírito Santo” são Exaltasamba, Alexandre Pires, toda a horda de axé da Baia, mais toda a linha de frente do pagodim paulista, sertanejo pop e sertanejo universitário, bandas lixo e congêneres.

Principalmente, congêneres!

E não é por nada não, mas, fora o bom músico nativo riquíssimo em talento e pobrezim de cachês, e um ou outro raro de boa linhagem musical, musicalmente empobrecemos, emburrecemos.


A velha bossa nova, creio, não furaria esse bloqueio da música pobre das baladas que rolam nas mais nobres salas, onde guapos elegantes fantasiados de chapéus de vaqueiro e lindonas – ou bonitonas, como diria o outrora colunista de A Gazeta Wesley Sathler - ornando botas de rodeios e rodopiando qual dançarinas de coreografia pobre de programas de gugus e faustões.

Caramba, cara, me peguei em flagrante:
- ninguém emburreceu, não.

Quem emburreceu fui eu, com perdão da rima ridícula.

A velha bossa morreu, samba dusbão não há mais, a boa música instrumental não há mais - com raras e boas exceções, Ave, Victor Biazutti! - o blues não há mais, o jazz não há mais. A música nos Emirados Unidos do ES banhado pela mudernidadi é o muderníssimo cauntrilixo-niubreganejo.

Tabão, não?

Oswaldo Oleari

donoleari@gmail.com

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