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Rubens Pontes, sugestão de leitura - Coluna Carlos Brickmann; Inverno quente

16 de julho de 2015
1 - A peruinha Elva e O Lamborghini de Collor;
2 - Eduardo Cunha em cadeia nacional de tevê;
3 - Lewandowski, presidente do STF, encontra Presidente do Brasil em Portugal. Em segredo.
4 - A Grécia é aqui: cada carro oficial tem 50 motoristas.

Ele já sofreu impeachment por causa de uma peruinha Fiat Elba. Agora a Polícia Federal invadiu sua casa, recolheu documentos e apreendeu três carros bem mais caprichados que a Elba: uma Ferrari, uma Lamborghini, um Porsche. 

Fernando Collor (PTB) entrou na Operação Politeia, um dos ramos da Operação Lava Jato (Politeia é a cidade imaginada por Platão em que a ética imperava). 

A operação alcançou 53 pessoas em seis Estados e no Distrito Federal. Com Collor, mais dois senadores (Fernando Bezerra Coelho, PSB, amigo de Eduardo Campos, ex-ministro de Dilma, e Ciro Nogueira, presidente nacional do PP), outro ex-ministro de Dilma, Mário Negromonte, PP, o deputado Eduardo da Fonte, PP.

Um inverno quente, que ainda vai esquentar: hoje (dia 15) está marcado o depoimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na CPI da Petrobras. Ontem houve a posse da nova presidente da UNE, que promete protestar no Congresso contra a redução da maioridade penal, contra Eduardo Cunha, em favor da Petrobras. 

No começo da semana, os black-blocs voltaram em grande estilo, em São Paulo - o primeiro ensaio para tumultuar as demonstrações de rua e prejudicar a Marcha Fora Dilma, prevista para 16 de agosto. 

E, na sexta, o deputado Eduardo Cunha, do PMDB, fala em rede nacional de rádio e TV (hoje em dia, falar em "cadeia nacional", como já foi hábito, pode provocar reações estranhas e até injustas explosões de alegria) sobre as realizações da Câmara neste primeiro semestre.

Tudo ajuda a deixar a situação mais tensa. Mas vai melhorar até o Natal.

Togas esvoaçantes

Era outra época, claro. O desembargador paulista Sílvio Barbosa devolvia todos os presentes que recebia, fosse qual fosse o valor, fosse qual fosse o motivo; não aceitava carona nem quando ia a pé para o Fórum e pegava uma chuva. Não ficava bem um juiz receber favores de alguém a quem poderia eventualmente ter de julgar. E é outro país, claro. Nunca ninguém ouviu dizer que o presidente da Suprema Corte americana, John Roberts, tenha conversado informalmente com o presidente da República, o presidente do Congresso, empresários ou advogados.

Tudo mudou: o presidente do Supremo se encontra com a presidente da República em Portugal (e só não foi em segredo por incompetência). O ex-presidente do Supremo se reúne com o presidente da Câmara e conversam sobre o impeachment da presidente da República. Tudo tão mal feito que esqueceram de combinar o que diriam: Eduardo Cunha garantiu que o afastamento de Dilma não entrou na conversa, Gilmar Mendes disse que o tema entrou lateralmente.

Nem o juiz Sérgio Moro se privou de opinar sobre concorrências públicas: queria afastar empresas que ainda estão sendo investigadas, em casos que sequer foram julgados.

E pensar que houve tempos em que juiz só falava nos autos!

Os azares desta vida

O escritor francês André Maurois dizia que "tais são os azares da vida que todo acaso se faz possível". O presidente do Supremo, Ricardo Lewandowski, é do tipo que atravessa a rua para pisar numa casca de banana do outro lado.

Quando o Supremo aceitou a ação penal do Mensalão, ele foi jantar num restaurante e falou por celular com seu irmão. Disse que a tendência era amaciar para José Dirceu mas que todos votaram com a faca no pescoço, acuados pela imprensa. Na mesa ao lado, uma boa repórter que Lewandowski não conhecia, Vera Magalhães, da Folha de S. Paulo, anotou tudo e tudo publicou. 

Desta vez, ele estava em Coimbra, e soube que o avião de Dilma, em vez de fazer escala em Lisboa, por acaso desceria no Porto. Viajou então uns 130 km e, no Porto, se encontrou por acaso com a presidente. Sigilo total. Ou quase total: o repórter Gérson Camarotti, de O Globo, soube do encontro e o divulgou. Os dois presidentes, da República e do Supremo, explicaram que a conversa tinha sido apenas sobre o aumento dos servidores do Judiciário. Então, tá.

Poderiam ter conversado em Brasília, onde um trabalha a pouco mais de cem metros do outro, e sem precisar do sigilo.

E mais ainda

O caro leitor acha que é muita falta de sorte? Pois tem mais: o terceiro participante do encontro Dilma/Lewandowski, ministro José Eduardo Cardozo, depõe hoje (dia 15) na CPI da Petrobras.

Qual será o assunto preferido das perguntas?

A Grécia é aqui

Na discussão (já chatamente partidarizada) sobre a Grécia, pouco se diz como os gregos se enfiaram no buraco. Nada que nos espante, a nós, brasileiros.

1- Cada carro oficial dispõe de 50 motoristas contratados pelo Governo;

2- O Lago Kopais é protegido por 1.763 funcionários públicos. Pena que o lago não mais exista: secou há 85 anos. Dele só restou a equipe administrativa;

3 - O Metrô de Atenas fatura € 19 milhões por ano. E custa € 500 milhões. Um ministro propôs que fosse fechado e que os passageiros usassem táxi, por conta do Governo. Seria mais barato;

4 - Como em todo o mundo, há aposentadorias especiais, precoces, para quem exerce profissões perigosas. Na Grécia, entre os beneficiados, há músicos especializados em instrumentos de sopro, cabeleireiros, apresentadores de TV.

Com esse estudo da Comissão Europeia fica mais fácil entender as coisas.

carlos@brickmann.com.br
Twitter: @CarlosBrickmann
www.brickmann.com.br

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