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Manias compulsivas podem ser sinal de TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo

12 de agosto de 2015
Quando a mania começar a interferir negativamente no cotidiano, pode ser sinal de TOC, um distúrbio psiquiátrico de ansiedade. O tema é abordado em livro lançado recentemente no Brasil, escrito pelo britânico David Adam

Um medo irracional de contrair AIDS, que surgiu aos 18 anos após uma noite casual de sexo sem camisinha, fez com que o britânico David Adam, hoje com 43 anos, desenvolvesse uma obsessão tão forte que o levou a ser diagnosticado com Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais conhecido como TOC. 

Sua história originou o livro “O Homem que não conseguia parar”, que foi lançado no Brasil recentemente, e que conta de forma bem humorada e em detalhes como David adquiriu o transtorno.

O autor do livro, que também é editor da revista científica Nature, mostra que um conjunto de manias inofensivas – como tomar café em canecas e não em xícaras, preferir o uso de roupas de determinadas cores, meditar ou orar em determinada hora ou período do dia, gostar de posicionar determinado objeto num certo lugar – pode não ser considerado TOC. 

De modo geral, as manias em si não atrapalham o dia a dia, não trazem sofrimentos e nem afetam a vida cotidiana e os relacionamentos. Mas há pessoas em que as manias tomam conta de, praticamente, o dia inteiro, e se tornam compulsivas.

- “Quando os hábitos deixam de ser saudáveis e naturais, e passam a ser uma obrigação, é preciso ficar atento, pois pode ser sintoma do Transtorno Obsessivo Compulsivo”, explica a psicóloga da Clínica de Psicologia Antonio Elmo, Andrea Bragatto (foto). 

As estatísticas indicam que cerca de 3% da população mundial será diagnosticada com o distúrbio em alguma fase da vida, sendo mais comum se manifestar no início da adolescência ou na idade adulta.

Uma mania por si só não indica necessariamente que a pessoa sofra do transtorno. O que caracteriza o TOC são obsessões ou compulsões recorrentes, que consomem tempo e causam sofrimento à pessoa e aos que com ela convivem, conforme explica a psicóloga.

- "Ao contrário de uma simples mania, que promove satisfação, o TOC acontece para saciar a ansiedade. Outros critérios caracterizam o transtorno, como consumir mais de uma hora em alguma atividade repetitiva. Quando essas ‘manias’ começam a interferir de forma significativa na vida da pessoa, em suas ocupações, atividades sociais, e nas relações interpessoais, ela pode ser diagnosticada com TOC, que se caracteriza por um comportamento irracional e excessivamente repetitivo. Chamamos de compulsões os comportamentos ou atos mentais, como, por exemplo, repetir uma palavra ou contar mentalmente. No TOC, a pessoa se torna obrigada a fazer determinados atos, temendo que algo ruim aconteça caso não os realize, como verificar dezenas de vezes se trancou a porta com medo de que um ladrão invada a sua casa", enfatizou Andrea Bragatto.

Com o transtorno, as pessoas tornam-se escravas de rituais repetitivos, que podem até mesmo destruir vidas, famílias e carreiras. Segundo pesquisas, demissões no trabalho em razão da interferência dos sintomas na produtividade são comuns para quem tem TOC. Os hábitos repetitivos comprometem o rendimento, já que o tempo na vida profissional, por exemplo, é gasto com os pensamentos ou manias que os envolvem.

Além dos rituais de limpeza, que são os mais comuns, as principais obsessões e/ou compulsões dos pacientes com TOC envolvem verificação, repetição, contagem, contaminação, impulsos agressivos, simetria e coleções. 

- "Em geral, as obsessões não estão ligadas a preocupações da vida real, como problemas financeiros, escolares, entre outros", pontuou.

Segundo Andrea Bragatto, o TOC, como qualquer transtorno psiquiátrico, é considerado pelo campo da saúde mental, como não tendo uma só causa, mas por sua multicausalidade, seja biológica, genética, psicológica, social ou pela história de vida.

- "O meio em que a pessoa está vivendo, e a sua forma de ser e estar no mundo pode promover em muito o TOC. Uma situação traumática, como um acidente, também pode desenvolver o transtorno.", ressaltou.

Em geral, a pessoa com TOC tem pouca percepção de si mesma e pode não dar-se conta de que tem o transtorno, por isto é importante os familiares ajudarem nesta percepção e encaminhar a pessoa a um especialista. 

- "O tratamento é feito com medicamentos e psicoterapia. Dentro do tratamento, a pessoa também precisa olhar para dentro de si e buscar fazer mudanças que a ajudarão a ter uma vida saudável, como praticar esportes, ter um hobby e uma boa alimentação. O processo de autoconhecimento que é facilitado na terapia ajudará a pessoa a se dar conta de como ela tem agido e o que será importante mudar em sua vida para alcançar harmonia e equilíbrio interior", concluiu a psicóloga.

Enviado por Letícia Passos

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