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Marilena Soneghet e Rubens Pontes: quem paga a gastança do governo? Os ricos? Os pobres?

9 de setembro de 2015

Pitaco do Oleari

A cronista e escritora Marilena Soneghet me enviou o diálogo entre o ministro da Economia do Rei Luis XIV e o Cardeal Mazarino contido numa peça teatral, que eu desconhecia solenemente. 

Submeti-o ao meu parceiro Rubens Pontes, Diretor de Conteúdo do Portal DOPC. Que o devolveu seguido de um textim delicioso.

Para quem não é um mero orelhudo feissibuquianu curtidor de foto e de linkis - sem procurar ler seu conteúdo - é um excelente exercício.

Exercício que, convenhamos, não é pra qualquer cabeção desses pelaí, os que não conseguem enxergar os mal feitos das quadrilhas políticas dominantes, nem crise, nem inflação alta, nem dólar a preço de euro, nem nada. Leiam o diálogo e o texto de Rubens Pontes (Oswaldo Oleari).

Por Marilena Soneghet

Diálogo entre Colbert (*) e Mazarino **) durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:

Colbert
- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço ...

Mazarino
- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar na prisão. Mas o Estado é diferente! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert
- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?

Mazarino:
- Criando outros!

Colbert
- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino
- Sim, é impossível.

Colbert
- E sobre os ricos?

Mazarino
- Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert
- Então, como faremos?

Mazarino
- Colbert! Tu pensas como um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!


Por Rubens Pontes

Uma ficção. Duas realidades.

- "Eclético Comendador

Você, como sempre, tem razão quando pinça da História episódios que  nunca perdem
atualidade e continuam servindo de exemplo para os que não possuem talento
para inovar, com faz aí a nossa dileta cronista Marilena Soneghet.

O instigante diálogo entre o ministro da Economia de Luiz XIV,  Colbert, e o cardeal Mazarino, personagens reais de uma peça teatral de Antoine Rault (Le Diable Rouge), ocorreu há mais de 400 anos,  mas bem que poderia ter sido assinada pelo jornalista Nelson Rodrigues, se para os palcos fosse,  e certamente pelo ministro Nelson Barbosa, se buscando na História inspiração para cobrir  o rombo orçamentário do atual governo .

A classe média é sempre o alvo quando a bomba explode no colo dos governos de países
como Brasil, como a Venezuela,  como a Argentina... Entre nós, o tema é ainda mais 
dramático: núcleos das classes C e D, que ascenderam durante algum tempo à classe B 2,
retornam às suas origens quando a inflação sobe e o desemprego dispara. Se a classe média se encolhe, é óbvio que a remanescente  paga mais por isso.

O fato, provocador Oleare, é que a História é implacável quando não é escrita exclusivamente pelos vencedores. No nosso caso, os vencidos também procuram vez e voz.  E não encontram, nem uma, nem outra.

Uma ficção. Duas realidades (Rubens Pontes).


(*) Jean-Baptiste Colbert. 
(Reims, 29 de Agosto de 1619 — Paris6 de Setembro de 1683).
Foi um político francês que ficou conhecido como ministro de Estado e da economia do rei Luís XIV.




(**) Cardeal Mazarino, Jules Mazarin, sacerdote diplomata vindo da Itália para a França (14 de julho de 1602; 9 de março de 1661)em italiano Giulio Raimondo Mazzarino.
Foi um estadista francês de origem italiana que serviu como primeiro ministro da França de 1642 até sua morte.

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