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PT recebeu R$ 15 mi em contrato no Comperj, diz delator: Blog do Fausto Macedo no Estadão

15 de setembro de 2015

REDAÇÃO

Ricardo Pessoa conta em sua delação premiada como sua empresa, a UTC, repassou valores em doações oficiais fracionadas ao partido e dividiu pagamentos de propina com a consorciada Odebrecht em obra da Petrobrás, no Rio; revelações complicam vida de executivos da empreiteira e do ex-ministro José Dirceu

Ricardo Pessoa. Foto: Reprodução

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo



O empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, confirmou que em contrato da Petrobrás nas obras do Complexo Petroquímico do Rio de
Janeiro (Comperj) – iniciada em 2009 – pagou R$ 15 milhões em propinas ao PT por meio de “doações oficiais fracionadas”.

LEIA ÍNTEGRA DE DELAÇÃO DE RICARDO PESSOA SOBRE OBRA DO CONSÓRCIO TUC NO COMPERJ
http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/wp-content/uploads/sites/41/2015/09/1_PET-2-TERMO-24-TUC.pdf

“Os valores destinados ao PT foram pagos na forma de doações oficiais
fracionadas, no montante total aproximado de R$ 15 milhões, conforme
acertado com João Vaccari”, disse Pessoa, em depoimento prestado no
dia 28 de maio à Procuradoria Geral da República.

Primeiro dono de uma grande empreiteira a fechar acordo de delação
premiada nos processos da Operação Lava Jato, as revelações de Pessoa
confirmam a atuação do cartel de empreiteiras, que pagava propinas nas
contratações da Petrobrás, e desnuda como empresas dividiam dentro de
consórcios a responsabilidades sobre os pagamentos de corrupção.

- “A UTC, na divisão de encargos do consórcio, foi incumbida de pagar a
propina destinada ao partidos dos trabalhadores e à Diretoria de
Serviços”, confessou Pessoa em seu termo de colaboração 24 – sobre a
propina das obras do Comperj.

- “A responsabilidade pelo pagamento da propina relativa à Diretoria de
Abastecimento, destinada a Paulo Roberto Costa e ao Partido Progressista, por meio de Alberto Youssef, foi assumida pela Odebrecht.”

A UTC era sócia da Odebrecht e da japonesa Toyo Engeneering nesse
contrato do Comperj, de R$ 2 bilhões. Ao todo, o consórcio teve R$ 3,8
bilhões da estatal.

trecho odebrecht dir abastecimento

A confissão do dono da UTC complica dois alvos atuais da Lava Jato: o
ex-ministro da Casa Civil José Dirceu – responsável pelo grupo
político pelo qual foi canalizado os recursos desse contrato, na
Diretoria de Serviços – e os executivos da Odebrecht.

Cota da UTC. Dentro dos pagamentos que era responsabilidade da UTC, o empreiteiro citou o ex-gerente de engenharia Pedro Barusco e seu sucessor Roberto Gonçalves – que ainda não foi alvo das operações – e
o lobista Julio Gerin Camargo, que atuava como lobista da Toyo no
Brasil.

Pessoa contou que o contrato era para ser uma concessão e que para
isso foram feitos estudos e investidos recursos. “A Petrobrás acabou
recusando o projeto de concessão, por entender que a sua execução
tinha ficado muito cara”, contou Pessoa. A estatal teria decido então
pela contratação direta “pelo fato de o projeto das obras ter sido
desenvolvido pela Odebrecht, UTC e Toyo, inviabilizando uma
licitação”.

O objeto da contratação direta, segundo Pessoa, foi definido como
Central de Utilidades. “Se formou um consórcio entre a Toyo, a UTC e a
Odebrecht, chamado Consórcio TUC, o qual foi contratado.”
O empreiteiro detalhou qual foi a cota da propina que ficou a cargo da
UTC, dividindo em quatro beneficiários: 1) o lobista Julio Camargo,
que recebeu R$ 42 milhões, 2) Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia,
R$ 2 milhões; 3) Roberto Gonçalves, que sucedeu Barusco na gerência,
que recebeu “pouco menos de R$ 5 milhões”; e 4) João Vaccari, “R$ 15
milhões.

trecho divisão propina tuc serviços

No caso de Julio Camargo – que era ligado a Dirceu -, os valores foram
superiores aos demais “em razão da inviabilização do projeto de
concessão e da contratação direta do Consórcio TUC, pela sua atividade
de intermediação dos interesses da Toyo e da Mitsui, bem como pelas
despesas por ele feitas com a elaboração do projeto de concessão”.
Os valores recebidos pelo lobista foram por intermédio de suas
empresas, que ele confessou ter usado para movimentar dinheiro de
propina, Treviso, Piemonte e Auguri. Para provar o que diz, entregou
os registros de transferências.

No caso dos valores entregues aos dois ex-gerentes de Engenharia,
Pessoa afirmou que foram em espécie. “Os pagamentos a Pedro Barusco e
a Gonçalves foram feitos em espécie com dinheiro retirado do caixa
dois da UTC.” Os ex-gerentes eram cargos de confiança do diretor de
Serviços, na época Renato Duque – sustentado politicamente no cargo,
por Dirceu.

Confissões cruzadas. A confissão de Pessoa vai ao encontro das
afirmações de quatro outros delatores envolvidos nesse contrato do
Comperj, com o Consórcio TUC, dentro dos núcleos de agentes públicos e
operadores financeiros do esquema.

Na Diretoria de Abastecimento, que implica a Odebrecht, o ex-diretor
Paulo Roberto Costa e o operador de propinas do PP Alberto Youssef
tinham confessado o esquema. Na Diretoria de Serviços, Barusco e Julio
Camargo também confessaram suas participações.

As obras do Comperj envolvem boa parte das 16 empreiteiras do cartel.
A construção do complexo foi um dos maiores empreendimentos
individuais da história da Petrobrás, com valor estimado de
investimento em US$ 8,4 bilhões. A terraplanagem foi iniciada em 2008.
Pessoa disse ter sido procurado em 2009 pelo ex-diretor de
Abastecimento Paulo Roberto Costa para iniciar as tratativas desse
contrato.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS
JOÃO VACCARI NETO

O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende João Vaccari Neto, afirmou que o ex-tesoureiro do PT ‘jamais arrecadou propinas’.
D’Urso é taxativo. “O sr. Vaccari jamais recebeu qualquer doação ilegal. Todas as doações foram realizadas ao PT, depositadas na conta bancária e prestado contas às autoridades.”

ODEBRECHT

Nota da assessoria de imprensa, da Odebrecht:
As manifestações das defesas do executivo e dos ex-executivos da Odebrecht se darão nos autos do processo.

JOSÉ DIRCEU

O ex-ministro José Dirceu nega o recebimento de propinas. O criminalista Roberto Podval, que defende Dirceu, apresentou à Justiça contratos e notas dos recebimentos pela JD Assessoria da UTC. Ele afirma que os valores são legais referentes à consultoria de prospecção de negócios no exterior.

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