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Orlando Eller: A cidade que eu quero

17 de outubro de 2015

Em construção na administração Tuffy Nader, a antiga sede da prefeitura de Vila Velha, na Praça Duque de Caxias.





Quando lhe bater forte na alma o anseio de mudar de cidade porque precisa de um lugar melhor, não o faça a esmo, sem sopesar as razões. Liste as urbes prováveis, as de seu sonho; faça um roteiro de visitas e aprecie uma a uma, partindo da que conste como primeira, talvez única entre aquelas da sua fantasia, em que atine possa achar deleite. Porque há no mundo de hoje, que se diz livre, eventos que o apequenam e o tornam arredio ao exercício da cidadania; coisa que meço pelo meu índice de urbanidade.

As razões que arrolo são comuns a (quase) todas as cidades, mas o que deve contar, mesmo, é a energia que há nelas, se deseja viver na que seja ideal. Então, aproveite as férias, feriados prolongados ou finais de semana, é vá visitá-las. Não só importa vê-las. É preciso senti-las; ou pactuar o que lhe dizem os olhos com o que lhe avisam os sensos da alma sonhadora somados às reações do coração que pede sossego.

Observe se quebra-molas se multiplicam em desvario, iguais a guardas deitados a que não se pode contrariar; e verifique se estão devidamente sinalizados, em vertical ou horizontal, como convém, de acordo com a lei. Se há demais, em especial sem aviso, entenda que ali moram motoristas cruéis. Os quebra-molas são somente um retrato deles.

Há lixo disperso nas vias e ausência de lixeiras? Cuidado. A cidade é carente, não dá bola para o bem-estar e seus habitantes são néscios. Se, mesmo assim, preferi-la, terá que acomodar-se e adequar o seu jeito insólito ao modo da maioria, se não quiser parecer diferente e, portanto, um chato incomodado.

Existem cachorros soltos, maioria vira-lata livre, removendo lixo ensacado, mijando postes e cagando calçadas? Não duvide, são mero reflexo do juízo primitivo, que submete a gente às moléstias e aos parasitas comuns à espécie. Nada contra cães, que também podem ser gente, desde que em ambientes apropriados.

Bom, se não notou excesso de quebra-molas, nem lixo espalhado ou animais à solta no seio da urbe, talvez seja oportuno verificar se há quem exceda a velocidade admitida, que dirija em maluquez ou se esnobe com descargas abertas, aturdindo o espaço que é de todos e permutando o bem-estar pela ansiedade, pela agonia e pela indignação...

E se calçadas forem aproveitadas para acasos, em que a liberdade solitária de construir não tolera o interesse público? E se tantos bares abertos noite adentro, como desgraça que ataca, infesta e contamina cotidianamente jeitos e gentes, em dores e doenças, continuarem prosperando para apodrecer a massa ignara? Em que, afinal, deveria estar atrelada a liberdade do povo, que me parece sem perspectiva?

Ademais, pense se a urbe do seu desejo precisa ter árvores nas ruas e nos quintais? E se, ao vento, há folhas secas dançando pelo chão, livres de ingredientes plásticos, como embalagens de balas, picolés, chips, copos, entre outras que entopem coletores e galerias, cercando o caminho da chuva?

Além do mais, verifique se nas noites e nos finais de semana não há turbas alegres demais à solta, que curtem em algazarra e doses não medidas de droga variada, em alegria sem sentido que submete a vizinhança. Observe, porque a urbe civilizada jamais deveria permitir a existência do evento subjetivo que muitos, de posse de tacapes, impõem singularmente à maioria sadia e objetiva.

Você já escolheu em que urbe gostaria de viver? Claro, com certeza não elegeu Vila Velha, minha cidade por deferência, em que pouco do que há civilizado se elege e se pratica. 

Trata-se de um ambiente em que a cidadania pouco importa, sob todos os aspectos, a contar do seu trânsito sem regra, sem tino, sem vigia e sem sanção.

Vila Velha é uma barra!

Orlando Eller é
Jornalista

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Praia Casa Aluguel

Orlando! você é ótimo e enxerga com as lentes da razão. Esta é realmente a medida com que se mede o tempo os lugares e a história.

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