anúncio dopc

anúncio dopc

Gutman Uchôa de Mendonça: Só doido (Ser empresário no Brasil)

5 de novembro de 2015




A “mola” que promove o desenvolvimento do mundo e até alegra vida das pessoas, é o dinheiro. Quem faz o dinheiro girar, circular, é o comércio de bens, serviço e turismo.

Em qualquer país do mundo, a inflação é o mais infame dos impostos. No Brasil, a maldade burocrática enfia de garganta abaixo da sociedade, hoje, 69 obrigações fiscais e parafiscais e, com taxas e emolumentos diversos, 96 obrigações anuais, correção monetária, fora os achaques...

A economia nacional, na mão de gente desqualificada para governar, será sempre esse rebotalho de atividades políticas, essa ladroeira que nos envergonha e nos desencanta.

O Brasil possui em torno de 7,9 milhões de empresas em operação, segundo critérios da Serasa Experian (é considerado em operação a empresa que teve o CNPJ consultado no último ano e que consta em atividade na Receita). Juntas, as inadimplentes somam dívidas de R$ 92 bilhões, segundo dados de agosto da Serasa. Estão inadimplentes em torno de 4 milhões de empresas, mais da metade das existentes.

“O volume é o maior desde julho do ano passado, quando a inadimplência no setor produtivo chegava a 3,5 milhões de devedoras, com R$ 80 bilhões em débitos.

São dívidas em média com 30 dias de atraso e que constam no cadastro da Serasa Experian, dona do maior banco de dados de crédito do país.

As inadimplentes devem a bancos, deram cheques sem fundo, tiveram títulos protestados ou enfrentam ações judiciais porque não pagaram a fornecedores ou funcionários. Há casos ainda de empresas que entraram em recuperação judicial (processo em que pede prazo para negociar com credores).

Com o aumento dos juros, mais dificuldade para obter crédito e queda nas vendas, essas empresas enfrentam mais dificuldades para manter as contas em dia.

“O quadro de recessão na economia afeta diretamente o ritmo de negócios e a geração de caixa das empresas”, diz Luiz Rabi, economista-chefe da Serasa.

Do total de empresa inadimplentes, 46% estão no comércio (varejo de bebidas, vestuário, veículos, eletrônicos e outros.); 44% no setor de serviços (bares, restaurantes, turismo, salões de beleza) e 10% na indústria. Nove em cada dez inadimplentes são de micro e pequeno portes. Metade delas está na região Sudeste.

Economistas e empresários acreditam que a tendência é de a inadimplência continuar subindo —entre empresas e entre as pessoas físicas.

“Com a queda nas vendas e os juros nas alturas não há mudança nesse cenário [de endividamento]”, diz Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo.

No setor industrial, a situação não é diferente. “As empresas estão enfrentando mais dificuldades nas vendas de prazos mais longos, em que existe mais necessidade de capital de giro”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do departamento de competitividade da Fiesp. “E também para discutir alternativas de refinanciamento de dividas e tomar novos créditos pela falta de perspectivas de melhora do cenário”.

Patricia Krause, economista-chefe da Coface (empresa especializada em seguro de crédito) para a América Latina, destaca ainda o forte impacto da variação cambial, especialmente no setor industrial, e da elevação da tarifa de energia. “Estão cada vez mais recorrentes os pedidos de recuperação judicial.”

PESSOA FíSICA

A Serasa também registrou que 3,1 milhões de consumidores entraram na lista de inadimplentes de dezembro de 2014 a agosto deste ano. Existem no país 57,2 milhões de pessoas endividadas com bancos (financiamento de carros, imóveis), com o varejo e com contas de consumo (luz, água, telefone) em atraso. Juntos esses consumidores devem R$ 246 bilhões. Desemprego e inflação elevada são os principais fatores para explicar o aumento do endividamento.

“As indústrias estão enfrentando mais dificuldades nas vendas de prazos mais longos, em que existe mais necessidade de capital de giro e para discutir alternativas de refinanciamento de dívidas e novos créditos, por falta de perspectiva de melhora de cenário.

JOSé RICARDO RORIZ COELHO - Diretor do departamento de competitividade da Fiesp” - Fonte folha – 9.10.2015



Gutman Uchôa de Mendonça
é jornalista

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49