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Poesia todo dia - Cora Coralina: O cântico da terra - Rubens Pontes

9 de dezembro de 2015
Don Oleari

Sei de sua admiração pelos versos e pela autora. Encaminho-lhe, também por isso,   um belo poema de Cora Coralina. Abraços, Rubens".


O CÂNTICO DA TERRA

Cora Coralina


Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original da vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta do teu lar.
A mina constante do teu poço.
Sou a espiga generosa do teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno do meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho
do galho e da tulhas.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.





Cora Coralina,
poeta

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