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Aqui Rubens Pontes: sobre o poeta Murilo Mendes e outro mineiro, Alphonsus de Guimarães - Um repeteco

29 de janeiro de 2016



- "Preclaro e provocador Oswaldo Oleare:

Li e inadvertidamente deletei a coluna em que se fala de Murilo Mendes com a publicação de três poemas dele.

Visitei, em Juiz de Fora, uma exposição de obras do poeta e pensador,
instalada pelo então prefeito Itamar Franco. Impossível não se emocionar.

O poeta, ao romper com a esquerda radical brasileira e se converter ao catolicismo, teve que se exilar na Europa, onde escreveu alguns dos seus poemas imortais e se relacionou com a elite intelectual de Portugal (onde lecionou e morreu em 1975) e da França, principalmente.
São dezenas de obras editadas e centenas de admiráveis poemas de Murilo Mendes (foto), como este:

Mamãe vestida de rendas tocava piano no...

"Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som.
Equilibrou-se no azul
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém
Cai no álbum de retratos."

Outro mineiro poeta

Assim de memória, um deles me faz evocar outro grande nome da poesia mineira, Alphonsus de Guimarães, de quem deixo aos nossos leitores um dos seus mais conhecidos: Ismália 

ISMÁLIA 

(Poema de Alphonsus Guimarães)

Quando Ismália enlouqueceu
Pôs-se na torre a sonhar
Viu uma lua no céu
Viu outra lua no mar

No sonho em que se perdeu
Banhou-se toda em luar
Queria subir ao céu
Queria descer ao mar

E num desvario seu
Na torre pôs-se a cantar
Estava perto do céu
Estava longe do mar

E como um anjo pendeu
As asas para voar
Queria a lua do céu
Queria a lua do mar

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par
Sua alma subiu ao céu
Seu corpo desceu ao mar.


Ismália..



Rubens Pontes
é jornalista
é publicitário
é radialista
é prosador
é poeta
é escritor
é pescador



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