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Mara Coradello: a maior chuva da vida de Francisco

8 de janeiro de 2016
- "Êta lugar intenso, simples, abençoado. Dotado de beleza e mistério".

A cronista e escritora fala de sua saída com o filho, Francisco, de Patrimônio da Penha, município de Divino de São Lourenço, Sul do Espírito Santo.

Descendo do Espaço de Vivência Beija-flor, após algumas descobertas, eu e Francisco pegamos a maior chuva de nossas vidas. Da vida dele, de quatro anos, não seria surpresa considerar aquela chuva a maior. Da minha, um zero a direita de quatro, sim, foi uma chuva e tanto. 

Saímos por volta de 16h20, do alto da montanha, e descemos, nos alcançou a chuva após uns 10 minutos de caminhada, creio. E engrossou, os pingos açoitavam Francisco, que teve de vir para o colo. Creio que andamos, eu e ele no meu colo, por cerca de 1 hora e 20 minutos. 

Alguns momentos, dois na verdade, ele conseguiu pisar o chão. Eu lhe falei que a chuva seria suave quando ele pisasse o chão, que era mágico pisar o chão. 
Ele acreditou. E uma fada protetora da credibilidade das mães permitiu que realmente a chuva diminuísse. 

Foi mágico. Nossas roupas brancas vieram enlameadas, eu entrei em quase desespero em alguns momentos (muitos) mas o mais intenso foi ter conseguido andar com ele no colo por mais de uma hora e quase não sentir nada. Uma força imensa da terra, das árvores e de ser mulher e mãe. De ter que fazer um Francisco sem medo naquele instante. 

E essa que poderia ter sido a mais terrível experiência da nossa viagem de 4 dias em Patrimônio da Penha foi a mais linda aventura, de uma mãe, da chuva esperada, de coragem feita pelo amor e pela fé. 

Obrigada aos que me deram carona, pessoas lindas de Muqui, das quais não sei sequer os nomes. 

E obrigada montanha, chuva, terra, pedras, árvores, e ar. 


E obrigada a todos de Patrimônio da Penha (foto) e que lá estavam: Relva, Aline Maria, Cândido, Adriane, Luan, Diego, Piatan, Lissa, Felipe Silva, Wanderley, Juliana, a moça massoterapeuta, a que faz sabões naturais, o que vende sucos, a atendente do Portal, Valéria, Samir, Meire Rose, Sandrinha e todos, todos os outros. 

Êta lugar intenso, simples, abençoado. Dotado de beleza e mistério (Mara Coradello).

Pitaco do Oleari
Nem tudo está perdido

Fiz esse comentário no feissibuqui e reproduzo com adendos, aqui.

- Confesso que li todim, curioso de como você ia administrar o Francisco, ele com 4, levando uma chuva que foi a maior para alguém com - em relação à dele - a idade da longeva mãe. 

É muito difícil - eu não conseguiria - cometer um textim intenso assim, jorrando energia pelos pingos da chuva, pela terra encharcada, pelo tempo andarilhando, sem cair numa ridícula e dramática pieguice. Texto de escritora com E gigante. É por essas e outras que repito quinem tudo está perdido no maledeto feissibuqui. Se me autorizar, vou reproduzí-lo no Portal DOPC/Rádio CBM.

Mara Coradello  respondeu: - "Claro que autorizo, sou grata por suas palavras, que se mostram também de escritor!"

Em meio a algumas utilidades, poucas, encontra-se gente quistá no planetinha respirando, transcendendo sentimentos e emoções, narrando a vida. Uso a rede para multiplicar os linkis do nosso portal e conversar com meia dúzia e meia de pessoas que valem a pena. Pra mim, um pobre escrevinhador de cascatinhas anos afora, foi um achado esse texto de Mara Coradello. 

Fui lendo e "vendo" as imagens de Francisco experimentando pisar no solo encharcado - "macio", disse a mãe" - e ela própria, e suas vestes brancas também encharcadas, desbravando o caminho mais molhado de sua vida. Eu fiz meu fllme de "curta metragem" durante a tensa leitura e durante o encharcado da andança rumo ao fim da chuva (OOLeari).

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