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Rubens Pontes comenta o livro “Africanta – Ser Negro”, de Hudson Ribeiro

8 de janeiro de 2016
O jornalista Rubens Pontes faz uma crítica do livro de Hudson Ribeiro “Africanta – Ser Negro”, mas diz ser a opinião de um leitor de poesia e não de um crítico literário. Depois, ele fala na costelinha de porco e na garrafa de vinho que vamos exercitar por estes dias (OO).

- Oswaldo Oleare:

- Li esta manhã o livro de poemas do professor Hudson Ribeiro. Como pedido seu não  pode ser contestado, e também porque gostei dos poemas nele contidos, perpetrei rápidas considerações sobre "Africanta - Ser Negro", que devem ser recebidas como contribuição de um leitor que gosta de poesia e não de um crítico literário, que definitivamente não sou.

A costelinha suína  faz um apelo: 


- "não me deixe temperada na geladeira à espera de OO e seu bornal com a selecionada garrafa de vinho..."
Abração, Rubens"



“Africanta – Ser Negro”, de Hudson Ribeiro

O poeta despiu-se e se fechou no aposento mergulhado num silêncio
só quebrado pelo ruído dos atabaques distantes num terreiro de candomblé.

De que outra maneira poderia Hudson Ribeiro permitir que sua alma e seu
coração explodissem num turbilhão, que paradoxalmente se manifesta
num libelo acusador que contém, porém, uma ternura primitiva que balança
nossa sociedade como uma revivida Trombeta de Jericó?

“Ser Negro” é um J’Acuse moderno, contundente quase sempre, impiedoso
muitas vezes, como uma sentença de uma Corte de Justiça que não admite
apelação.

Há um ritmo sincopado nos poemas que confirma o poeta que Hudson Ribeiro é: espontâneo mas racional, emotivo mas agressivo, numa obra literária que tem princípio nas “Savanas Africanas”,  mas que não parece ter fim em “Ser Negro”. 

Fica a sensação de que sua fala não termina aí.

Entendo que “Africanta – Ser Negro”, deve ser leitura obrigatória nos cursos de educação como importante documento destinado a desmistificar o sentimento preconceituoso, nem sempre mascarado, contra uma raça que, afinal, nasceu com a africana Eva mitocondrial de quem todos os seres humanos somos descendentes.

Como Machado de Assis e Lima Barreto, como o grande escritor filho de escravos Cruz e Souza, como a mineira Conceição Evaristo (com livro editado nos Estados Unidos) como a maranhense Firmina dos Reis, como a paulista Carolina de Jesus , como a nossa conhecida Elisa Lucinda, o capixaba Hudson Ribeiro, com mais essa esplêndida obra, tem seu nome definitivamente incorporado aos dos grandes intelectuais negros que valorizam a inteligência criativa na produção literária brasileira.

Ainda no livro, destaque para as instigantes ilustrações produzidas pelo autor (Rubens Pontes).






Rubens Pontes 
é jornalista

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