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Maria Lúcia Dahl: Uma surpresa em Petrópolis

14 de fevereiro de 2016
Crônicas Maria Lúcia Dahl






Passei minha infância em Petrópolis: fins de semana e férias em Quitandinha me marcaram pra sempre, com seu chão de mármore, seus corredores de listas verdes e brancas, a piscina de água quente, o lago com seus barquinhos onde andava com babá e minha irmã, o bar com os artistas de Hollywood, como Lana Turner, de quem minha irmã achou um grampo dourado no corredor do seu quarto , numa época em que no Brasil só existiam grampos negros, artistas da Atlântida, como Eliane e Adelaide Chiozzo, que entravam no elevador, sempre olhando pro chão pra não falarem com ninguém, o que me fazia implicar com elas e achá-las antipáticas, o cheiro de lança-perfume no ar, os bailes infantis de Carnaval onde me fantasiava de tirolêz, as músicas inesquecíveis da época.


Salão com o quadro "A Proclamação da Independência", de Francois Renée Moreaux, no Museu Imperial de Petrópolis


À tarde íamos ao Museu Imperial colocar aqueles chinelos que deslizavam pelo mármore, ver a coroa de brilhantes do Rei rodar na vitrine, os salões cheios de quadros e espelhos, pratos, pratas, copos e cálices de cristal que meu avô ganhou alguns de presente, por ser amigo da família imperial, e que esta semana que passou fui mostrar a uma amiga, aqui em casa, e o cálice escorregou da minha mão transformando-se numa poeira verde, brilhando em cima do tapete, que não consegui encarar.

Prefiro voltar a Petrópolis e andar de patins, depois tomar um chocolate no D` Ángelo.

Essa foi minha infância gravada no meu cérebro, em Petrópolis, o início inesquecível da minha biografia que visito até hoje, quase todos os fins de semana, com exceção, devido a coincidências inesperadas à casa de Santos Dumont, que por incrível que pareça, jamais consegui entrar.

Devido a infância da minha filha que se passou na Europa por causa do exílio de seu pai, não pude dar a ela a mesma trajetória de quando eu era pequena, mas o fiz com meus netos que repetiram todos os meus passeios a Petrópolis, com a mesma alegria que me dominou na época, e foi muito gratificante, agora, semana passada, quando o mais velho deles me levou a um novo museu, o Museu de Cera, construído no início do século 20 em estilo espanhol, feito por estúdios americanos e ingleses.

E eu, que esperava encontrar nele a família imperial de Petrópolis, só vi D. Pedro II e a Princesa Izabel, enturmados com Ayrton Senna, de cabelos ao vento , Pelé, Jhonny Depp, Hitchcock e Santos Dumont num bate-papo animado com risos e gargalhadas até nós voltarmos pra casa pela Av. Koeller fazendo-me retornar, de neto em punho, à minha infância querida que os anos trazem pra mim.

Quem é Quem


Maria Lúcia Dahl  é atrizroteiristaescritora e colunista brasileira.
Foi casada com o cineasta Gustavo Dahl que conheceu em Roma, na Itália. Tem uma filha, a atriz Joana Medeiros, e dois netos. É irmã da famosa figurinista 
Crônicas de Maria Lucia Dahl 

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Maria Cristina Pedroso
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