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Masp (Museu de Arte de São Paulo) volta a expor quadros nos cavaletes de cristal

12 de fevereiro de 2016
Revitalizado, 
Museu de Arte de São Paulo (MASP) Assis Chateaubriand retoma 
proposta original da arquiteta Lina Bo Bardi

(Fotos: André Lachini)

André Lachini, 
de São Paulo

  
Para quem vai a São Paulo, o jornalista dá um roteiro completo a quem quiser apreciar obras dos maiores autores de todos os tempos.

Poucos museus no mundo conseguem dar ao visitante uma perspectiva geral tão abrangente da pintura como o Museu de Arte de São Paulo (MASP) Assis Chateaubriand. Esses museus estão em Nova York, Londres e em outras capitais europeias. 

Na América Latina, o MASP, com seu acervo de cinco mil obras, entre esculturas, pinturas e outros trabalhos, é único. O prédio atual do MASP, na Avenida Paulista, foi projetado e construído pela arquiteta italiana (foto) Lina Bo Bardi (1914-1992) em 1969. 

No projeto original de Lina, os quadros eram exibidos em cavaletes de cristal – ou de vidro temperado – e não nas paredes, como ocorre na maioria dos museus e ocorreu no próprio MASP entre 1996 e 2015. 

Já em 2016, o visitante que for ao MASP encontrará o acervo exibido na Pinacoteca (2º andar) nos cavaletes. Foi assim entre 1969 e 1996 e agora os cavaletes voltaram. 

O MASP não possui espaço físico para exibir de maneira permanente todo o seu gigantesco acervo. Muitas obras também estão em restauro, ou são emprestadas a outros museus. Isso é comum na maioria dos museus.

A mudança valeu a pena. A exibição nos cavaletes, bem espaçada, não prejudicou a visualização das obras. A curadoria do MASP pensou em exibir os quadros de uma maneira mais ou menos cronológica. 

Isso é bom, porque quem visita o museu, seja ou não um especialista em pintura, pode observar a evolução da arte ocidental: da Itália no século XIII até a era contemporânea na Europa, Estados Unidos e América Latina.

Um dos primeiros cavaletes exibe um dos quadros mais antigos do MASP: a “Madonna del Bigallo” (foto), uma pintura italiana feita em 1275 no ateliê do “Maestro del Bigallo”, que existiu naquela época na região da Toscana, na Itália central. 

É uma pintura pré-Renascimento, ou seja, ainda medieval: Maria e o Menino Jesus em duas dimensões, típica da arte bizantina que foi imitada na Itália e no Ocidente até o surgimento de Giotto, no começo do século XIV no norte da Itália. 

Giotto foi o primeiro pintor a usar a perspectiva e a pintar quadros e afrescos em três dimensões, como na Cappella degli Scrovegni, em Pádua. 

O Renascimento

A partir daí começou o Renascimento na Itália nas artes plásticas. Nas primeiras fileiras de cavaletes, você encontrará outras pinturas italianas, mas já do Renascimento: - São Jerônimo no Deserto, de Andrea Mantegna, feita em 1514; 

A Ressurreição, de Rafael Sanzio, de 1503 (à esquerda); Vênus e Marte, do veneziano Carlo Saraceni,(à direita), feita provavelmente a partir de 1560 .


Quadros de El Greco e do veneziano Tiziano Vecellio, como “Ecce Homo –Eis o Homem” (foto abaixo, à esquerda) e o “Retrato do Cardeal Cristoforo Madruzzo”. 


Em um cavalete vizinho está um dos tesouros mais preciosos do MASP, o quadro “As Tentações de Santo Antão”, feito pelo pintor holandês Hieronymus Bosch, provavelmente em 1500. 
O estilo totalmente inovador de Bosch, que poderia ser considerado um precursor do surrealismo com 400 anos de antecedência, já aparece em “As Tentações de Santo Antão” (à direita).

Pós-Renascimento e Impressionistas
Passadas as obras do Renascimento e do Barroco, você se depara com quadros do pintor holandês Franz Post, o primeiro a retratar paisagens do Brasil no século XVII.

Um desses quadros está em exibição: “Paisagem com Jiboia” (à direita) foi feito provavelmente pelo artista  em Pernambuco em 1660. 

Logo depois estão cavaletes com os quadros “Retrato de Fernando VII” (esquerda) e “Retrato da Condessa de Casa Flores” (direita), ambos feitos pelo pintor espanhol Francisco Goya. O primeiro é de 1792 e o segundo de 1808. 

São anteriores à fase “Negra” da pintura de Goya, ou seja, são trabalhos executados pelo pintor espanhol para a corte em Madri. Nem por isso deixam de ter valor. 

O rei espanhol Fernando VII, tido como obtuso, aparece com seu maxilar proeminente da dinastia Habsburgo, um detalhe que não escapou ao gênio de Goya. 

Em seguida começam as obras dos pintores franceses: o neoclássico Pierre-Auguste Renoir, com o quadro “A banhista e o cão Griffon - Lise à beira do Sena”; obras dos pintores impressionistas Claude Monet – destaque para “A Canoa sobre o Epte” (à esquerda) e “A ponte japonesa sobre a lagoa das ninfeias em Giverny”; 

Henri de Toulouse-Lautrec, com o quadro “Monsieur Forcade”, de 1889 (à direita). 

Seguindo, temos obras do expressionista Paul Gauguin, como o autorretrato do artista e o quadro “Pobre Pescador”, pintado em 1896 no Taiti. 

Estão presentes os quadros que o MASP possui do holandês Vincent van Gogh: “O Escolar” (foto), “A Arlesiana” e “Passeio ao Crepúsculo”.

A Pinacoteca continua com cavaletes de quadros de Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Cândido Portinari (à direita), Di Cavalcanti, Alfredo Volpi (abaixo, à esquerda). É um banho de cultura. 

Se você tiver ânimo para ver mais, vá ao primeiro andar do MASP, onde ficam exposições sazonais. 

Em fevereiro, estão expostas dezenas de fotografias da vida urbana brasileira entre os anos 1940 e 1980, feitas por Thomas Farkas, Raul Eitelberg e outros profissionais. 

Serviço:

No subsolo estão a loja do MASP, o café, o restaurante e mais um espaço para exposições, que em fevereiro dedicou o local à moda, exibindo dezenas de vestidos de estilistas. 

Reformado, o restaurante está sob nova direção e oferece pratos das cozinhas francesa, 
italiana, libanesa e brasileira, ao preço de R$ 62 
(incluída a sobremesa), em esquema de buffet.

O ingresso do MASP custa R$ 25, com exceção das terças-feiras, quando a entrada é grátis e se formam filas a partir das 10 horas, como mostra a foto. 

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) Assis Chateaubriand fica fechado às segundas-feiras.

O acesso é muito fácil pelo Metrô: o visitante deve descer na Estação Trianon-Masp, linha 2-verde (André Lachini).



- andrelachini@hotmail.com

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