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Rubens Pontes: a crônica de Maria Lúcia Dahl e as encruzilhadas da vida

26 de fevereiro de 2016




Abro o Portal Don Oleari Com, leio a esplêndida crônica de Maria Lucia Dahl "Uma surpresa em Petrópolis" - e a primeira associação que me ocorre são versos de Renato Teixeira e Zé Geraldo, que o milagre da memória fez ressurgir de meus cansados neurônios:



- Quando a gente chega numa encruzilhada, 
Quando o homem chega numa encruzilhada 
Olha prum lado é nada 
Olha pro outro é nada também 
Aí o céu escurece, o céu desaba 
Tudo se acaba 
Quando tudo tá perdido na vida 
Só quando tudo tá perdido na vida 
É que a gente descobre que na vida
Na vida nunca tudo tá perdido, meu irmão"

Preciso abrir parêntesis para dizer de minha admiração, como jornalista, pela contribuição de Gustavo Dahl, argentino, creio eu, à evolução da moderna imprensa brasileira. No Suplemento Literário do Estadão, mais tarde no Jornal do Brasil, teve ele presença tão marcante quanto na montagem de filmes que lhe assegurou o prêmio “Coruja de Ouro”. 

Lembro-me bem dele. Essa presença tão marcante, no entanto, nunca eclipsou o papel de sua ex-mulher, a intelectual Maria Lúcia Dahl – escritora, atriz, roteirista, a autora da crônica que o Portal DOPC publicou semana passada.

Vem daí minha citação dos versos de Renato Teixeira e Zé Geraldo, revivida obliquamente em minha mente e em meu coração a cidade de Petrópolis, uma emoção marcada em cores e alegria na leitura a que fui levado por uma dessas encruzilhadas que a vida às vezes generosamente nos arma. 

Maria Lúcia Dahl me confirma ser verdade a ideia de que os deuses habitam as encruzilhadas e fazem delas um lugar sagrado.

Voltei à minha distante juventude, quando a cidade de Petrópolis era um chamamento, uma quase aventura para todos nós, os jornalistas mineiros. Impossível deixar de visitar, com a mesma genuflexão de um recinto sagrado, o Museu Imperial, passear de charrete pelas suas ruas senhoriais, reviver o voo de Santos Dumont ao visitar a instigante casa em que morou... 


Quitandinha com seu casino, mantido pelo mineiro Joaquim Rola, era para nós permanente motivo de atração, não pelo jogo, mas pela presença de astros nacionais e internacionais presentes em shows muito além da nossa provinciana admiração. 

Ah! E tínhamos, os jornalistas, mesa especial com consumação paga... Foi lá que pela primeira vez tomei champanhe, um Veuve Clicquot.


O primeiro Veuve Clicquot 
a gente nunca esquece...

Tudo isso me ocorre com a leitura da amena crônica de Maria Lúcia Dahl, autora de uma obra para mim marcante – “Paquetá, além da Imaginação”; a brilhante intérprete de “O Avarento”, com o imortal Procópio Ferreira. 



Peças que são atuais continuam fazendo sucesso em palcos e no cinema, como “Se pegar o bicho pega, se ficar o bicho come” ou “Trair e coçar é só começar”...

Bom seria, comendador Oswaldo Oleare, se pudesse o Portal DOPC continuar contando com uma presença tão significativa para o trabalho a que nos propomos de divulgar manifestações da inteligência no campo da produção literária.

Rubens Pontes
é jornalista


Maria Lúcia Dahl: "Uma surpresa em Petrópolis, você pode conferir no linki http://nageral.donoleari.com.br/2016/02/maria-lucia-dahl-uma-surpresa-em.html

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Maria Cristina Pedroso
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