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Rubens Pontes: Não há mais pernilongos como antigamente

31 de março de 2016
O jornalista Rubens Pontes começa uma série de três textos sobre o pernilongo e seus parentes próximos.

(1)

O pernilongo da minha infância era diferente, chamado com intimidade por pernilongo e não, como agora, de Culex Quinquefaciatus , acho que só para nos assustar e valorizar campanhas do governo, além de atender aos interesses de laboratórios farmacêuticos empenhados em vender produtos para combate-los.

Sua picada não transmitia doença alguma além da coceira provocada pela enzima presente na saliva desse inseto urbano e cosmopolita. Sua presença era frequente no verão, estação que lhes assegurava temperatura ambiente ideal, em torno de 28 graus, e não resistiam a temperaturas nem mais altas, nem mais baixas. Abaixo de 18 graus, hibernavam. Acima de 40 graus, morriam. Não havia pernilongos no inverno.

Nós nos protegíamos atacando-os com uma bomba manual de Flit ou cobrindo as camas com uma rede de filó. Em casos extremos, mantínhamos a luz do quarto acesa, porque só atacavam no escuro, atraídos pelo gás carbônico que exalamos na respiração. Eram localizados principalmente pelo zumbido que provocavam nas nossas orelhas, consequência da vibração de suas asas, batidas mil vezes por minuto.

Como nos humanos, enquanto os machos vivem menos, no máximo 9 dias, as fêmeas vivem 30. E são elas, as pernilongAs como diria a presidentA, que sugavam nosso sangue para produzirem seus ovos, detectados seus alvos a uma distância de até 36 metros. Os pernilongos machos se alimentavam de néctar e seivas de vegetais...

O pernilongo deste confuso Século XXI, agora Culex Quinquefaciatus, transmite dengue, doença que pode ser mortal, e ainda voa ao lado de seu primo de hábitos diurnos que só agora conheceu, o Aedes Aegypti – faz até lembrar a onda de gafanhotos que assolou o velho Egito – transmissor de viroses graves, com nomes adequadamente complicados, como Zika e Chikungunya, que assustam, mais do que as milícias islâmicas assustam países dos 5 Continentes.



PRÓXIMO CAPÍTULO – COMBATE AOS INSETOS, ENQUANTO A VACINA NÃO VEM.



Rubens Pontes 
é jornalista

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