anúncio dopc

anúncio dopc

Rubens Pontes: O PERNILONGO ESQUECIDO

13 de abril de 2016
(2)



Não por acaso, o aedes aegypt, transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da febre zika, do chikungunya, da síndrome Guillain-Barré, da microencefalia – e certamente de outros vírus que ainda não foram identificados – não à toa seu nome vem do grego aedes, que significa odioso... mas sua origem natal, como o ebola, é a África.

Cientistas do Instituto Oswaldo Cruz aceitam como provável a reintrodução do mosquito no Brasil a dispersão passiva dos vetores que indicam a disseminação para o continente americano por embarcações que aportaram aqui para o tráfico de escravos. Sua virulência veio com o tempo.

No inicio do Século XX, a identificação do aedes aegypti como transmissor da febre amarela urbana deu origem a rígidas medidas de controle que levaram à erradicação do mosquito no Brasil. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde considerou o País livre do vetor.

Como sempre, as autoridades se mostraram satisfeitas com a vitória alcançada e dormiram sobre os louros. Até que, em 1960, o “odioso” retornou para provocar o pânico disseminado pelos órgãos de imprensa.

Resistentes a muitos dos inseticidas, a espécie vem adquirindo a habilidade de se reproduzir em volumes cada vez menores de água limpa e passaram a atacar também à noite, caso haja alguma fonte de iluminação, ampliando sua ação tida exclusivamente como diurna. O mosquito voa sempre abaixo de 1 metro e 20, e por isso pica mais os pés, as pernas e os joelhos, áreas do corpo que devem ser bem protegidas.

O pernilongo do zumbido não transmite o vírus da dengue, encontrado na fêmea do mosquito aedes aegypti, ou na fêmea do aedes albopicus, conhecido como “tigre asiático” – este presente no Brasil desde 1982 na forma benigna mas que, a partir de 1990, tem sido responsável por alguns casos de dengue hemorrágica que tem causado mortes.

No Brasil, sucessivas campanhas vêm sendo empreendidas para debelar o problema. Todavia, enquanto no passado não muito distante as políticas públicas eram voltadas para a sua erradicação, hoje todo o esforço tem sido empreendido para o difícil controle da doença que atinge entre 50 e 100 milhões de pessoas, anualmente, em todo o Mundo. 

Vinte mil pessoas já morreram em consequência dos vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, informa a Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, organismo do Ministério da Saúde.

Especialistas afirmam não existir tratamento especial para a dengue, recomendando repouso, beber muito líquido e, sob prescrição médica, medicamentos para alívio de dores e interrupção do estado febril. Nunca usar aspirina, AAS ou qualquer medicamento que contenham ácido acetil salicílico.

Instalado o pânico entre a população do Mundo, como em casos anteriores, virão certamente as vacinas. A indústria farmacêutica trabalha para isso e parece ter chegado o momento em que os governos, o nosso aí incluído, passam a exigir urgência na produção e distribuição da vacina, ao custo naturalmente de alguns bilhões de dólares.

Próximo e último – o que nos cumpre fazer




Rubens Pontes 
é jornalista

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49