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Rubens Pontes: pernilongos - é a fêmea quem pica

26 de abril de 2016
(Terceiro e último artigo)



Pode parecer contradição fescenina, mas no reino dos pernilongos é a fêmea quem pica.

Ovíparas, precisam de sangue antes de reproduzir-se e para isso a natureza dotou-as de uma probóscide (uma espécie de bico) que funciona como uma seringa de dois sentidos: um tubo injeta saliva anticoagulante e o outro suga o sangue. 

E é ai que reside o perigo da transmissão do vírus, se o mosquito estiver contaminado. A picada quase não dói, por injetar na pele uma substância anestésica que, ao mesmo tempo, impede o sangue de coagular. A coceira e manifestações alérgicas só vêm depois.

Há mais de 200 espécies de mosquitos anafelinos que transmitem a malária, mas somente a espécie aedes aegypti pode transmitir a febre amarela e é ainda é o vector da dengue, da zika e da chicungunya. Mas a fêmea da espécie está correndo risco. 

Pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo desenvolveram um macho transgênico que, ao cruzar comas fêmeas comuns produzem apenas mosquitos machos que carregam material genético modificado. 

E como quem pica é a fêmea... O mosquito macho, que afinal não é tão bobo assim, usa uma espécie de cola como barreira protetora para seu próprio esperma, bloqueando futuro rivais, mas, como seu primo distante louva-deus, às vezes tem que morrer para conseguir procriar. 

Depois da cópula, o macho quase sempre permanece atado à fêmea (que ao final o devora), deixando apenas seus órgãos genitais funcionando como um tampão para impedir a penetração de outros machos. Nem Shakespeare imaginaria cena de ciúme com essa dramaticidade.

O mosquito Aedes aegypti, o grande vilão da espécie, não possui maior capacidade de vôo, e por isso nunca chegam ao segundo andar de uma casa, o melhor refúgio para nós, os humanos, quando a maioria dos inseticidas comuns já não conseguem agir eficientemente contra os mosquitos.

Tenho até uma certa ternura pelo pernilongo que azucrinava nossos ouvidos e que nós espantávamos acendendo a luz do quarto, usando aquela antiga bomba de flit ou ligando o ventilador. Picados, nada havia a temer, além de uma coceirazinha na pele atingida.

E nas tardes à beira do rio de nossas pescarias, nós ingeríamos cápsulas de vitamina B 12 que, expelido seu odor pelos povos, afugentavam os pernilongos. Nunca pude constatar esse resultado, mas, em compensação, urinávamos em belíssimo tom de amarelo ouro.






Rubens Pontes
é jornalista

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Elias Alves

Interessante, essa forma tão dramática como ocorre a relação sexual. Tive a impressão, no entanto, de que o autor do texto usa as palavras "mosquito" e "pernilongo" como sinônimos. Talvez seja uma questão de culturas regionalmente diferentes, pois no Brasil consideram-se prrnilongos como insetos parecidos com os mosquitos, porém maiores que estes.

Elias Alves

Interessante, essa forma tão dramática como ocorre a relação sexual. Tive a impressão, no entanto, de que o autor do texto usa as palavras "mosquito" e "pernilongo" como sinônimos. Talvez seja uma questão de culturas regionalmente diferentes, pois no Brasil consideram-se prrnilongos como insetos parecidos com os mosquitos, porém maiores que estes.

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