anúncio dopc

anúncio dopc

Altair Malacarne: Ex-água

27 de maio de 2016





EX-ÁGUA

No livro KARINA, Virgínia Tamanini conta que, depois de derrubarem a mata e se assentarem, os colonos ítalo-capixabas cuidaram de construir um moinho de fubá para produzir a farinha usada na preciosa polenta, comida de sustento naqueles dias pioneiros; havia um bom fluxo de água que passava em desnível ali perto; era a garantia de que os dias seriam de barriga cheia para garantir a força dos braços dispostos a tudo.

Durante os anos desbravadores, a tarefa de se fazerem moinhos foi enfrentada com luta nesse norte capixaba; tio ‘Borto” (Bertolo), 1940, como não havia rodovia, arrastou a pedra-mó numa zorra de São Domingos do Norte até a Cachoeira da Onça; ali, geralmente aos domingos, os roceiros iam ‘trocar fubá’ para ter na cozinha o ‘trigo amarelo’ usado a semana inteira; os mais abonados se davam ao luxo de juntarem alguma fatia de ‘formaggio’(queijo) para enriquecimento do paladar e da digestão.

O professor Malacarne "atualiza" a foto da Cachoeira da Onça: compare a "cachoeira" de hoje com a de 1958.





Hoje cedo, o Dorcelino nos trouxe o dourado fubá tradicional nos dias antigos, sem atomização; --‘ainda tem moinho d’água pro lado de Vila Valério’? ---‘nem água no corgo tem’; agora o jeito é tocar o moinho a energia elétrica’; e ele falou mais sobre a secura senegalesca. As matas escoavam lentamente as águas da fartura que nos caiam fora dos anos ‘el-nínicos’; não tem mais elas e o cíclico e sempiterno ‘el-nino’ parece ainda mais causticante; estamos cuidando para que não nos falte a de beber; enquanto a prevenção não existe, neste ambiente nordestino de ex-água, vem ao pensamento o conselho metafísico do amigo Cláudio Lachini: 

- ‘vamos fazer uma procissão’!

Am/SGP, 26.05.2016





Altair Malacarne
é professor,
historiador

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49