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Augusto Franco: uma carta aos meus vehos amigos e amigas - Sugestão de leitura de Máricio Cremona, do RJ

8 de maio de 2016
Augusto de Franco
4 de maio de 2016.

Sempre penso nas conversas que mantive, no final de 2002, com meus amigos e amigas, gente que já conhecia de longa data, pessoas que amei e com as quais vivi, convivi e trabalhei. Dizia-lhes naquela ocasião que as coisas iam piorar muito e que seria necessário se preparar para enfrentar o que viria. Quase ninguém acreditou. Acharam que era ressentimento, por Lula ter vencido a eleição e por eu ter abandonado o PT ainda no início da década de 1990.

Dois anos depois expressei a várias dessas pessoas minha convicção de que o país estava governado por bandidos. Aí então foi um espanto. Era como se dissessem (mas não disseram, apenas pensaram): "Puxa, o Augusto enlouqueceu, não absorveu mesmo as mudanças".

Em seguida - em meados de junho de 2005, à meia-noite - minha casa foi invadida por bandidos encapuzados e armados, que disparam contra mim e minha mulher. As invasões se repetiram, até com destacamentos que somavam mais de dez homens armados. O mais curioso desses ataques de comandos foi que eles passaram a avisar antes, por telefone, que iam invadir (e eles conheciam os números de telefones de um sistema de telefonia interna que existia no lugar onde eu morava e trabalhava, no Km 6,5 da estrada DF 250 - uma área de 100 mil metros quadrados onde estava sendo construída a Cidade do Conhecimento). E continuaram invadindo, seguidamente, até que fomos obrigados a encerrar o empreendimento, perdendo quase todos os recursos que investimos. Quando eu manifestei a vários amigos e amigas o meu estranhamento com o ocorrido, eles ficaram espantados, pois era óbvio que se tratava apenas de bandidos comuns. Curiosos bandidos comuns esses, que avisam que vão chegar... E que, em invasões continuadas e sucessivas, passaram a entrar apenas para depredar e não para roubar! Nada foi apurado, é claro, ainda que o próprio secretário de segurança do DF, na época um general, se não me engano, estivesse empenhado nas investigações.

Passei a viver, a partir daí, de palestras, aulas e consultorias. Mas não sem grandes dificuldades, pois órgãos governamentais, empresas estatais ou empresas em que o BNDES estivesse na direção foram fechadas para mim. A direção do PT, nos mais altos escalões do governo, inclusive o próprio presidente da República (Lula) e seus ministros mais próximos, chegou a fazer pressões diretas sobre donos e presidentes de empresas privadas para as quais eu prestava serviço para que me demitissem. Tenho o testemunho desses grandes empresários. Isso ocorreu - pasmem! - até nos anos de 2009-2010. Meus velhos amigos e amigas continuaram não acreditando em mim. Continuaram pensando: "Que loucura, onde já se viu? Onde o Augusto está com a cabeça?".

Não, não tive - e nunca pedi, para enfrentar tais dificuldades - qualquer ajuda das chamadas oposições. Tive que me virar sozinho.

De 2005 a 2010 publiquei seguidamente na página 3 da Folha de S. Paulo, denunciando a instalação do banditismo de Estado no Brasil diante da leniência e da conivência das oposições, notadamente do PSDB. Um artigo que chocou muita gente foi publicado em 4 de abril de 2008, intitulado “Esses caras são bandidos?” (está disponível nos arquivos da Folha). Neste texto mostrei que havia um padrão na atuação do PT no governo e que esse padrão não podia ser outro senão o do bando que não respeita limites quando estão em jogo seus interesses.

Corta! Pula uma década (perdida) e chegamos a maio de 2016, um dia após o Procurador Geral da República (indicado pelo PT, que esperava dele mais gratidão, segundo disse Lula) oficiar ao Supremo Tribunal Federal que "essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente LULA dela participasse". E em seguida pedir autorização à Corte para investigar a presidente Dilma por obstrução da justiça. E agora, o que dizem os meus amigos e amigas, depois de mais de uma centena de crimes, dezenas de escândalos, mensalão, petrolão et coetera? Era eu que estava delirando ou eram eles que não podiam admitir que a esquerda - aquele pessoal do bem, defensor de causas generosas - havia enveredado mesmo para o crime?

Link para o artigo citado da Folha:http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0404200809.htm

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