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Rubens Pontes: A cobiça não é só por petróleo

24 de maio de 2016

 Rio Solimões

- "Don Oleari

 -  O Portal Don O.eari Ponto Com vem publicando, pela sua atualidade, matérias sobre o problema gerado  com a escassez de água. No entanto, já há anos nosso portal 
divulgava texto já apontando, àquela época, a visão futura do problema. 

Veja no anexo, que reproduzo, para mostrar a atualidade dos textos publicados recentemente: dois, de autoria do jornalista Uchôa de Mendonça (*) outro, do professor Altair Malacarne (**). Rubens Pontes".

(*) - Uchôa de Mendonça: "A questão das águas = http://microempresasnegocios-posts.donoleari.com.br/2016/05/uchoa-de-mendonca-questao-das-aguas.html ) 

- Uchôa de Mendonça:  A questão das águas II" = http://microempresasnegocios-posts.donoleari.com.br/2016/05/uchoa-de-mendonca-questao-das-aguas-ii.html

(**)  Altair Malacarne: http://nageral.donoleari.com.br/2016/05/altair-malacarne-estiagem-no-espirito.html (foto do texto de Malacarne)

(Texto publicado no dia 2 de outubro de 2008)

 A cobiça não é só por petróleo

O “mistério” afinal começa a ser desvendado: área de quase 700 mil quilômetros quadrados da região Amazônica já foi dividida em lotes para exploração de petróleo e gás natural. 

O levantamento, divulgado pelo Library of Science, mostra que quase 500 mil quilômetros quadrados já foram concedidos a empresas para aquele fim, a maior parte no Peru, na fronteira brasileira. 

Os estudos para demarcação dos lotes foram realizados pela Universidade Duke (Carolina do Norte, USA) e pelas ONG’s Terra e Vida e Salvem as Florestas das Américas (sugestivo, não?).

No Brasil, a exploração está concentrada na bacia do Rio Solimões, onde atuam as companhias Oil M&S (argentina) e a Petrobrás. Paralelamente a essa “corrida” pelo petróleo, cujas áreas de prospecção e extração ficam cada vez mais escassas e concentradas na região do Iraque, a desenfreada compra de glebas na Amazônia Legal continua diante de uma verdade irrefutável: quem tiver produção de alimento e manancial de água abundantes, num futuro não muito distante, deterá o poder do mundo. 

Mais do que petróleo, mais do que reservas-ouro, mais do que força militar.

Já há fome em várias partes do Planeta e não só nas áreas mais pobres da África. Não estamos muito distante de uma inevitável fuga de migrantes assolados pela fome para as regiões mais ricas da Europa. O crescimento demográfico acelerado, a redução de áreas cultiváveis, as constantes agressões à natureza, formam uma perigosa equação que desequilibra as leis de sobrevivência.

Em nosso País, no amplo e diversificado território, é possível a obtenção de safras agrícolas o ano inteiro e ainda há espaços ociosos próprios para plantio. Os fenômenos do clima impedem que isso ocorra na Europa e na América do Norte qualquer tipo de cultivo continuado além de 4 meses por ano. Sem subsídios, os produtores norte-americanos e europeus não conseguiriam manter suas atividades agrícolas com lucro.

Em nosso País, os governos não tem subsidiado a produção e não impõem legislação rigorosa que fiscalize e restrinja a compra de terra por estrangeiros. As sequelas de uma política defeituosa são comprovadas por estatísticas. 

Os investimentos estrangeiros diretos em agricultura, pecuária e extrativa mineral vem crescendo anualmente em ritmo acelerado: 637,86 milhões de dólares em 2002; 1 bilhão e 487 milhões em 2003; 2 bilhões, 197 milhões e 37 mil em 2005. Entre 2002 e 2006, esses investimentos totalizaram 6 bilhões, 755 milhões e 18 mil dólares.

Fala-se muito na ocupação de áreas brasileiras por norte-americanos e europeus, mas há também capitais chinês e até argentinos investidos em terras e atividades econômicas no Brasil. 

Se os americanos criticam a produção de etanol com a cana brasileira, a Cargill e a Bunge, ambas dos Estados Unidos, como a Coimbra Dreyfus francesa, a Abengoa espanhola, a Nobre Group da China e a Adeco argentina, todas elas vêm aplicando dinheiro no plantio e tratamento de cana em amplas áreas do País. 

O mesmo ocorre no setor sucroalcooleiro: 22 usinas controladas por capitais estrangeiros são responsáveis pelo processamento de 36 milhões de toneladas de cana de açúcar, equivalente a 7,5% de todo o volume da safra colhida no biênio 2007/setembro de 2008. 

As projeções para a safra 2012/2013 são impressionantes: as empresas estrangeiras serão trinta e uma, processando 83 milhões de toneladas de cana de açúcar, ou 12% da produção brasileira.

Mas a Amazônia é a grande cobiçada, por deter também a maior reserva de água do mundo. Em 30 anos, os efeitos do aquecimento global e seus desdobramentos implicarão na angustiante escassez de água potável, principalmente nos países mais povoados da Terra.

É lá que estão os maiores investimentos estrangeiros e vale lembrar que no regime capitalista ninguém, nenhuma ONG, nenhuma empresa internacional ou nacional investe dinheiro sem apostar na recompensa do lucro.

A atual legislação, a postura de alguns cartórios e a omissão de órgãos governamentais facilitam a grilagem de terras públicas e a venda sem controle de vastas áreas para grupos estrangeiros (Rubens Pontes, para Portal Don Oleari Com).






Rubens Pontes 
é jornalista

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