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Rubens Pontes: meu poema de sábado / O cântico da terra - Cora Coralina / Poesia todo dia

2 de julho de 2016
- "Conspícuo comendador Oswaldo Oleare:

- A cidade de Goiás Velho, a antiga Vila Boa de Goiás, é cortada pela rodovia que,
durante sucessivos períodos de férias, me levava às barrancas do Araguaia,
lá pelas bandas da Barreira de Luiz Alves, para minhas pescarias anuais.


A cidade é um autêntico mostruário do Brasil Oitocentista, fundada pelos idos de 1682 pelo bandeirante Anhanguera que por ali buscava ouro e diamantes. 

Mas, tão importante quanto esses dados históricos, é o fato de ali ter nascido e ali ter sido criada a mulher que recebeu o nome de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, e que nós admiramos e reverenciamos como Cora Coralina.

Neste sábado, que marca o inicio do segundo semestre de um ano que passa com a rapidez de um fundista de 100 metros rasos, matei saudades daquela doceira - mais doce do que os doces que ela preparava no tacho de cobre (foto) - que tive o privilegio de conhecer em sua casa debruçada sobre o Rio Vermelho (foto acima).

Acho, amigo velho de guerra, que a velhice está me tornando mais sentimental.Pois me comovo, mais do que nunca, relendo, por exemplo, o poema de Cora Coralina

O CÂNTICO DA TERRA

Eu sou a terra, eu sou a vida.
De meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da cobertura do teu lar.
A mina constante do teu poço.
Sou a espiga generosa do teu gado
e certeza tranquila do teu esforço.
Sou a razão de tua vida.

De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu,
Teu arado, tua foice, teu machado,
O berço pequenino do teu filho
O algodão da tua veste
e o pão da tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.
,
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho
do gado e da tulha.

Fartura teremos
e donos de sitio
felizes seremos.






Rubens Pontes 
é jornalista

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