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Rubens Pontes: meu poema de sábado - Quatro poeminhas de Mario Quintana

17 de setembro de 2016



- "Preclaro Oswaldo Oleare

Mario Quintana, como você, foi jornalista durante toda a vida sempre vivida em Porto Alegre.
Certa ocasião, fechado o jornal em que trabalhava, foi despejado do hotel em que morava
por não ter pago o aluguel do mês, problema que pouquíssimos de nós não sofremos um dia...
Um jogador de futebol, Falcão, admirador do poeta e escritor, o acolheu, cedendo-lhe de graça
um quarto no hotel de sua propriedade, em Porto Alegre...
Sorte nossa, que Mario Quintana pode continuar traduzindo obras de Proust, de Virginia Wolf,
escrevendo seus magníficos poemas (uma antologia de seus trabalhos foi organizada
por Rubem Braga, em 1966) que o levaram a ser agraciado com o Prêmio Machado de Assis da 
Academia Brasileira de Letras, em 1980, e do cobiçado Prêmio Jaboti, em 1981.
Poeta das coisas simples, selecionei quatro poeminhas que refletem o seu modo de pensar

e de expressar seus sentimentos.

Bom fim-de-semana.
Rubens"


POEMINHA DO CONTRA

Todos esses que ai estão
Atravancando o caminho
Eles passarão.
Eu passarinho.

ENVELHECER

Antes, todos os caminhos iam.
Agora, todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.

DO AMOR O ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

TROVA

Coração que bate-bate
Antes deixes de bater.
Só em relógio é que as horas
Vão passando sem sofrer.
                                  





rubens pontes
é jornalista 




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Regina

amo Mario Quintana e peço que não acentue seu prenome Mario, pois ele mesmo, em sua Coletânea, afirma não haver acento em sua certidão obrigada

Don Oleari

Bom domingo, Regina. Agradecemos muito sua preença e sobretudo sua anotação. Realmente, a obervação procede. Mas, a coisa é antiga: observe que na foto dele, com frase sobre a amizade, quem fez também cravou o acento. Mas, vamos lá tirar onde podemos. Nosso preclaro Rubens Pontes te faz um convite: você escolher poemas, fazer as anotações que quiser e mandar pra ele publicar no Portal DOPC. Volte sempre.

Orlando Eller

Tive o privilégio de, variadas vezes, tomar café e conversar com o poeta Mário Quintana, na cantina do Correio do Povo, nos anos finais da década de 1960. Havia poesia em tudo que falava. Irremediavelmente, ele pedia uma xícara de café puro, amargo, que tomava enquanto comia um quindim. Saudade. Obrigado Rubens.

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