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“O épico brasileiro está na música do Nordeste”, diz Sérgio Benevenuto / Cangaço Radical Dance Clube: Diagonal, coluna do Oleari

4 de outubro de 2016
Pitaco do Oleari: o textim a seguir foi originalmente publicado no cadernim Pensar, do jornal A Gazeta, de Vitória/ES, fora a expressão "o disco é durabu".

É a música de um artista que juntou seus deuses e demônios aos toques das mudernas tecquinologias e que pode estar em qualquer praça do planetinha, em França, Oropa, Baia ou Noviorqui.



Falar sobre um artista tipo Sergio Benevenuto, compositor, multi-instrumentista, produtor, arranjador, “louco da silva”, é tarefa para um não enquadrado nos conceitos do mais do mesmo, mas que saiba traduzir o artista. Atendo ao primeiro item, mas temo pelo segundo. Mas vamuquivamu.

Benevenuto paira acima das mesmices musicais. Ele não parou no tempo, nem parou no mundo. Seguiu sempre em frente em busca de plantar suas ideias, sua criatividade, suas tendências para o lá na frente, desde que partiu da “capital secreta do mundo” – desculpem, diria o véi Rubem Braga, mas ele também é de Cachoeiro de Itapemirim.

“Cangaço Cyber”, o terceiro da trilogia SHAKING PLANETS - The Music of Sérgio Benevenuto, iniciada com o álbum Onde Andará Ruff Cutz? De 2007 – indicado ao Prêmio Tim de Música 2009, figurando na sua categoria entre os 5 melhores colocados – e Io em 2011, tá aí memu exibindo seu instigante mistureba de carcará com guitarras distorcidas.

Ô xente, cabra da peste da mudernidadi, esse Benevenuto mescla sons da raiz genuína do "For All" no Cangaço com as mais ricas sonoridades das suas baterias, percussões e luupis, que ele traça juntando seu lado contrabaixista e mandando no violão solo, dominando tudo na inferneti.

Na faixa 10, Brilho de Estrela, seu violão ecoa e emana o espírito da música conceito do disco, emoldurada pela percussão de Edu Sjaznbrum.
Passeando pelas Benevenuto’s songs, você tropeça nele, além de violões, nas guitarras, baixos, teclados e programações – ufa! – além 2 da concepção, arranjos e produção.

- “O cangaceiro vai para a internet, entra no mundo virtual como um personagem pop, e chega às portas da dance music”, diz ele, divertindo-se.

E não sem razão. Ao partir pra produção do Cangaço Cyber, ele já tinha programado os próprios chips/neurônios:

- “O épico brasileiro está na música do Nordeste”, pensou antes de rabiscar as primeiras notas, se programar para as trocentas coisas que faz no disco, convidar notáveis parceiros, instrumentistas com quem Sergio Benevenuto trabalha desde a criação da conceituada Rio Música, no Ridijaneru a janeiro, retornando de longa temporada nos isteitis, onde frequentou o sonho de 11 em cada 10 músicos, a Berklee College of Music, se formou e se graduou “Magna Cum Laude” em 1984.

Cangaço Cyber, da Abertura solene enunciando pradondi vai, intrigante, instigante, até o Final, oferece um banquete que o digitador desta linha aqui definiu, falsa modéstia à parte, como musiniversal, muito além de música daqui, dacolá. É a música de um artista que juntou seus deuses e demônios aos toques das mudernas tecquinologias e que pode estar em qualquer praça do planetinha.

E a farra cangaceiro cibernética ficou completa ao Benevenuto juntar seus amigos e alunos Jessé Sadoc e Marcelo Martins nos trompetes, flautas e saxes em Abertura, Cangaço Cyber, Do Meu Lado Errado, Marcha Com Russeio (com Roger Bezerra ao piano), Final; Ézio Filho no baixo, William Magalhães nos teclados na encorpada Maria Flor, Azulão e Zé Sereno; os guitarras Sidney Linhares, Nando Chagas e Rômulo Thompson em Botada na Rede Social (com Paulo Prot na gaita), Ventanias do Norte (com Sandro Rebel nos teclados e programação) e Cangaço Radical Dance Clube; e David Gant nas flautas em Bambu Bit.

No “vozerio” ou “sonoplastias vocais” juntam-se Yuri Guijansque, Thiago Perovano e Sérgio Benevenuto.

Sabisilá se “eu fico do lado errado, mas eu fiquei com meu palavriado” prafalá dum trabalho que ouço seguidamente, sem cansar nem enjoar. Porque acho quitô do lado certo do som sem barreiras de Sergio Benevenuto – um cara que não é um, é muitos - parafraseando o poetinha Vinícius ao falar de outro mestre, Moacir Santos).

O disco é durabu.



oswaldo oleari
é radialista/jornalista

donoleari@gmail.com
www.donoleari.com.br

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