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Rubens Pontes: Meu poema de sábado / O Cãntico da terra, de Cora Coralina

8 de outubro de 2016




- "Preclaro e erudito Oswaldo Oleare

Em tempos que poeticamente poderia chamar de remotos,
na rota das pescarias no rio Araguaia, cruzávamos necessariamente
as ruas coloniais - quase mineiras - da cidade de Vila Boa de
Goiás.

Terra natal de Anna Lins dos Guimarães Peixoto, que todos os
que lêem poesia admiram como Cora Coralina.

Doceira por profissão, apesar de sua pouca escolaridade,
já aos 14 anos escreveu textos em jornais
de Goiânia, mas seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás (foto),
só foi editado em 1965, quando a poeta completava 75 anos de idade.

Mas, tudo isso você já sabe, como tem conhecimento
de ter sido Cora Coralina, portadora somente de diploma
do curso primário, agraciada com o título de Doutora
Honoris Causa da UFG, eleita Intelectual do Ano (1983)
e a única mulher contemplada com o Prêmio Juca Pato da UniãoBrasileira dos Escritores.



Meu poema deste sábado foi publicado no livro da
Editora Global Vintém de Cobre-Meias Confissões de Aninha,
apontado por críticos literários como uma das 20 obras mais
importantes do Século XX editadas no Brasil.

Aproveite o dolce far niente deste final de semana.
Rubens".


O CÂNTICO DA TERRA

Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida
Sou o chão que se prende` à tua casa.
Sou a telha da cobertura do teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho.
do gado e da tulha.
Farturas teremos
e donos de sítio
felizes seremos.



rubens pontes
é jornalista,
poeta, escritor
e mais um tanto...



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