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André Lachini: Resenha sobre Claudio Antonio Lachini

12 de novembro de 2016



Amigos: esta página foi criada não apenas para manter viva a memória de jornalista e escritor do meu pai, mas também para estimular debates sobre a Literatura Brasileira. 

Neste contexto, os livros dos amigos de Claudio Antonio Lachini podem e devem ser divulgados e discutidos. Meu pai conviveu durante décadas com muitos jornalistas e escritores talentosos, em Vitória, em São Paulo, Curitiba e por vários lugares do Brasil e do mundo por onde passou. 

Certamente, a maior parte dessa gente boa e amiga escreveu e escreve em português. Então eu vou indicar o romance Mugido de Trem, escrito pelo jornalista Nilson Monteiro, que nasceu em Presidente Bernardes (SP), mas ainda criança foi morar no norte do Estado do Paraná, como tantos paulistas. 

Nilson morou vários anos em Londrina (PR), onde começou sua carreira de 44 anos de jornalista. Viveu em São Paulo e mais tarde foi para Curitiba. Foi lá que nos conhecemos, acho que em 1987, na sucursal da Gazeta Mercantil. Rapidamente viramos amigos. Nilson já era um jornalista experiente, trabalhou na Folha de Londrina e na capital paulista, na Folha de S. Paulo. Ele escreveu sete livros de crônicas e reportagens. Seu primeiro romance, Mugido de Trem, foi publicado em 2013 em Curitiba pela Banquinho Publicações.

Mugido de Trem é um ótimo romance. A história se passa em capítulos curtos, entre 1930 e o Brasil atual, em algum lugar nos campos de café do Norte do Paraná, mas também em São Paulo e Curitiba. O texto literário é rico, embora enxuto, direto, faz o leitor viajar no tempo e no espaço para outros brasis em construção – a colonização de Londrina e do Norte do Paraná começou justamente nos anos 30 do século passado, com levas de imigrantes espanhóis, japoneses, paulistas, nordestinos, italianos e alemães.

O romance se desenvolve a partir de figuras fortes – o imigrante espanhol da Estremadura, que planta café e sustenta com seus braços uma numerosa família perto de Londrina. 

Personagens de um Brasil já distante e rural – o violento delegado da Força Pública getulista, Bira; o imigrante japonês que participa de uma sociedade secreta que, após 1945, recusa-se a admitir a derrota do seu país para os aliados; e mais tarde, a moça vinda da cidade grande que se casa com um fazendeiro rude nos anos 70. O protagonista, na época, vai para a cidade grande – Londrina e São Paulo – e se envolve com movimentos estudantis em plena ditadura militar.

O estilo de Nilson lembra Danton Trevisan, lembra o americano John Fante – que escreveu sobre os Estados Unidos rurais na época da Grande Depressão com uma linguagem crua e bem humorada, também cheia de palavrões. Lembra o dramaturgo Plínio Marcos – que conheci em São Paulo nos anos 1990 e sobre o qual conversava com Nilson em Curitiba. 

Mugido de Trem nesse aspecto é um “Navalha na Carne” – nele também estão os mundos das putas, dos bêbados, dos drogados, dos “Perdidos em uma Noite Suja”. Recomendo a leitura do romance Mugido de Trem de Nilson Monteiro, grande amigo de Claudio Antonio Lachini.


André Lachini
é jornalista e tradutor
São Paulo, novembro de 2016.

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rubens pontes

Não li, mas vou ler, o livro de Nilson Monteiro avalizado por André Lachini. Possuo algumas referências sobre o autor como cronista e como poeta, e me parece ser "Mugido de Trem" seu primeiro romance. Nilson Monteiro, sei também, não faz concessões nas críticas que formula à sociedade nesse seu
livro, apontado pelo companheiro André Lachini como um romance de costumes.

André Lachini

O romance é muito bom, Rubens Pontes. Além de criticar costumes, conta de forma bem pessoal como foi a colonização do norte do Paraná a partir dos anos 1930.

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