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Rubens Pontes: meu poema de sábado na verdade são vários da milenar Dinastia Tang

26 de novembro de 2016
Cinquenta mil poemas, 2 mil e 200 autores, dos quais 190 mulheres




Poeta Wang Wei (século VIII), conhecido como o "Poeta de Buda".
Foi pintor, calígrafo e estadista da Dinastia Tang.





- "Menciônico Oswaldo Oleare

Os portugueses não haviam ainda inventado as velas triangulares
que iriam impulsionar suas caravelas pelos mares desconhecidos
e os chineses já conviviam com uma civilização que nunca, até
o século em que vivemos, foi suplantada.

- apresentando yu xuanji, poeta chinesa da dinastia tang.

A poesia era uma das fórmulas de expressão da cultura chinesa, e a antologia Poemas Completos da Dinastia Tang (anos 618 a 915),
compilada no Século XVIII por ordem imperial, contém 50 mil poemas, escritos por 2 mil e 200 autores, dos quais 190 mulheres.

Escolhi, para leitura neste último sábado do mês de novembro, poemas que falam da sensibilidade poética dos chineses desde há centenas de anos antes da linguagem escrita ter chegado até nós.

Lembremo-nos, agora que estamos chegando ao fim deste conturbado 2.016, do que pontuou Confucio:

"Até que o sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão".

A nossa Rádio Clube da Boa Música está fazendo sua parte (*).
 
SAUDADE

Wang Wei (século VIII)

O feijão-vermelho nasce no Sul.
A cada primavera brotam novos ramos.
Por favor, cavalheiro, colha muitas vagens,
Isso é do que mais tenho saudade.

ALVORECER PRIMAVERIL,
 Meng Haoran (691-740)

É primavera e, adormecido, não percebo o alvorecer.
Por toda a parte ouvem-se os passarinhos.
Durante a noite, ouvi o vento e a chuva.
Quem sabe quantas flores terão caído?

MISCELÂNEA,
 Wang Wei (século VIII)

Cavalheiro que vem da minha terra!
Deves saber as notícias de lá.
No dia em que partiste, notaste, em frente à cortina bordada,
Se as flores das ameixeiras desabrocharam?

PENSAMENTOS NOCTURNOS,
 Li Bai (século VIII)

Cama diante da luz da lua,
Que me parece geada pelo chão.
Elevo a cabeça, e olho a lua brilhante,
Olho para baixo, e penso na minha terra natal.

CABANA NOS BAMBUS,
 Wang Wei (século VIII)

Sentado sozinho, em meio aos bambus;
Toco minha cítara, e as notas reverberam.
No segredo da mata, ninguém pode ouvir;
Apenas a clara Lua, vem brilhar sobre mim.



rubens pontes
é jornalista,
poeta,
escritor

(*) Poesia Todo Dia na Rádio Clube da Boa Música, se segunda a sexta, às 7h55m, todas as manhãs.


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