anúncio dopc

anúncio dopc

Rubens Pontes: meu poema de sábado - Instantes, Jorge Luiz Borges

12 de novembro de 2016


- "Vaticinante Oswaldo Oleare

Meu poema deste sábado é encaminhado principalmente
aos eventuais leitores que estão vivendo a quadra mágicados 30 anos de nascidos.

O texto poético do escritor argentino Jorge Luiz Borges
não é um lamento, mas anda perto. 

O arrependimento expressado pelo autor não incide sobre a vida vivida. Seu poema é como uma bíblia que só abrimos quando o peso dos pecados nos faz
curvar os ombros, sem volta e sem remissão.

O notável escritor, cego desde os 50 anos, morreu um ano depois de haver escrito o poema. Deixou extensa bagagem literária, 15 livros de poesia, 7 de contos, 10 de ensaios e outros 10 publicados depois de sua morte, aos 86 anos de idade.

Pois, OO, entendo que todos os de nossa geração, a minha mais do que a sua, lendo o poema, com os acordes da Rádio Clube da Boa Música ao fundo, baterão no peito repetindo "mea culpa, mea culpa, mea máximaculpa...!" E aproveito para lembrar aos nossos leitores que a Rádio Clube da Boa Música passa a ter "Poesia todo dia" de segunda a sexta-feira às 7h55m da manhã.

Abraço, ex-totto-corde.

INSTANTES
Jorge Luiz Borges

Se eu pudesse viver novamente
Na próxima trataria de cometer mais erros
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais
Seria mais louco ainda do que tenho sido.
Seria menos higiênico.
Correria mais riscos, viajaria  mais
Contemplaria mais entardeceres, subiria  mais
montanhas,  nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria
mais sorvete  comeria menos lentilha, teria mais
problemas reais e menos problemas imaginários
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e
produtivamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momento de alegria.
mas, se pudesse voltar atrás, trataria de ter
somente bons momentos.
Pois, se não sabem, disto é feita a vida, só
de momentos, não perca-os agora.
Eu  era um daqueles que não ia a parte
alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente,
um guarda chuva e um  para–quedas.
Se eu pudesse voltar a  minha vida, começaria a andar
descalço no princípio da primavera
e continuaria assim até o final de outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais
alvorecer e brincaria com mais crianças.
Se tivesse outra vez minha vida pela frente.

Mas já viram, tenho 85  anos e sei que estou morrendo.


Rubens Pontes
é jornalista,
poeta, escritor

Diretor de Conteúdo
do Portal DOPC

"Poesia todo dia" na Rádio Clube da Boa Música (veja aí o linki pra acessar) de segunda a sexta-feira, às 7h55m da manhã.

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ:15.265.070/0001-49