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Rubens Pontes: Meu poema de sábado - A alquimia do verso, Arthur Rimbaud

19 de novembro de 2016
Rubens Pontes anota: Poema de Rimbaud considerado por críticos literários como obra prima da poesia universal.

Rimbaud aos 17 anos, retratado por Étienne Carjat, provavelmente em dezembro de 1871

- "Sensato Oswaldo Oleare

Tomei conhecimento da poesia de Arthur Rimbaud com meu
professor de francês Nicholas Marie Donnard, um apaixonado
pelas criações do libertino, impaciente, inquieto, anarquista poeta
que recebeu entre seus 15 e 18 anos de idade mais prêmios literários do que, por exemplo, o extraordinário e universal Paul Verlaine, seu companheiro na poesia e na cama (foto: filme Eclipse de uma paixão, Leonardo Di Caprio vive Rimbaud)

O professor Donard exigia de seus alunos saber de cor os versos
de "A alquimia do verbo":

- J'inventai la couler des voyelles.
A noir, E blanc, I rouge, O bleu, U vert...


Depois de percorrer paises da Europa, Rimbaud,
que vivia na Etiópia traficando armas, foi vitimado
por um carcinoma que o levou a ter uma perna amputada,
em 1891, e morrer em Marselha aos 37 anos de idade.

Meu poema deste sábado é considerado por críticos
literários como obra prima da poesia universal.

Desfrute, Oswaldo Oleare, de um dolce-far-niente neste fim-de-semana,
que ninguém é de ferro.
Rubens"







A ALQUIMIA DO VERBO

Arthur Rimbaud

A mim. A história de mais uma das minhas loucuras.
De há muito que me gabo de possuir todas as paisagens possíveis
e que acho possíveis e que acho ridículas as celebridades
da pintura e da poesia moderna.
Amei pinturas idiotas, vãos de portas, bugigangas, panos de saltimbancos
estandartes, estampas baratas, literatura fora de moda,
latim eclesiástico, livros eróticos sem caligrafia,
romances antigos, contos de fadas contos para crianças
velhas óperas, refrões ingênuos, ritmos simplicíssimos.
Sonhei com cruzadas, com viagens de descobrimento
das quais não existiam relatos,
repúblicas em histórias, guerras de religião sufocadas,
revoluções de costumes, movimentos de raças e de continentes:
acreditei em todas as magias.
Inventei a cor das vogais!
A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde.
Determinei a forma e o movimento de cada consoante
e, com ritmos instintivos, procurei inventar um verbo poético,
acessível, custe o que custar a todos os sentidos.
Guardei a tradução. Era acima de tudo um esboço.
Escrevi os silêncios, as noites. Anotei o indizível.
Firmei vertigens.





rubens pontes
é jornalista,
poeta,
escritor.





Pitaco do Oleari:

Um dos meus melhores momentos da semana,
este em que trabalho a edição de "Meu Poema de sábado", do caríssimo Rubens Pontes, sempre surpreendente. Vivo a expectativa do que será, a partir de quinta à tarde. Niquiqui ele envia, degusto, leio, e garro a maginá no que terei de ilustrações.

Um privilégio, sem dúvida de sombra, ter um parceiro tão especialmente sábio e conhecedor das coisas que estão no mundo, minha nega, quinemqui disse Paulinho da Viola. Pena que muitos hoje - inclusive poetas - só leiam o maledeto feissibuqui e só curtem os retratim lá. Felizmente,  há muito mais pelaí do que os retratim do feissibuqui (Oswaldo Oleari).

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