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Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado - Morrer Moça, da espírito-santense Maria Antonieta Tatagiba

3 de dezembro de 2016
Sexo frágil? 

- "Honorável Don Oleari


Como se sabe, o voto feminino foi instituído pelo Decreto 21076, de 24 de fevereiro de 1932, mas o Código permitia apenas que as mulheres casadas – com autorização dos maridos – viúvas e solteiras com renda própria, podiam votar.

A terceira mulher brasileira a ter direito ao voto foi uma capixaba de Alegre, a comerciante Emiliana Emery Viana. Dizia ela que em sua cidade só duas pessoas eram “cabras machos”, e ambas usavam saia: ela e o vigário da Paróquia.

A primeira mulher a se eleger no País foi igualmente uma capixaba, Judith Leão Castelo, deputada estadual de 1947 a 1963.


Vida e obra de Maria Antonieta Tatagiba

Assim, a destacada presença feminina no campo da literatura não pode ser recebida como fato ocasional. Ao contrario, a inteligência da mulher se destacou em variadas frentes da vida intelectual capixaba desde quando, em 18 de junho de 1949, foi fundada a Academia Feminina de Letras. 

Judith Leão Castelo foi sua primeira presidente e da AFL fizeram parte as intelectuais Ana de Castro Mattos, Zony Santos, Arlete Cypreste, Leonor Miguel Feu Rosa, Doralice de Oliveira Neves, Maria José Albuquerque e Virginia Tamanini.

Nosso poema deste sábado é uma homenagem e um reconhecimento ao talento das poetas capixabas na figura de Maria Antonieta Tatagiba, de Mimoso do Sul, a primeira mulher a publicar no Espírito Santo uma obra literária – “Frautra Agreste” – em 1927.

Também jornalista, Maria Antonieta Tatagiba foi a primeira mulher a gerenciar um órgão de imprensa no País, “A Semana”, no ano de 1926.
Confirme, sonhador Oleare, o talento de Maria Antonieta Tatagiba nesse emocionante poema “Morrer Moça”, produzido quando a autora, gravemente enferma, esperava pela morte inevitável que não demorou a chegar.

Rubens".

A casa onde morreu 
Maria Antonieta
MORRER MOÇA

Maria Antonieta Tatagiba

“Os amados dos deuses morrem novos” - Byron

Que bom morrer quando se é moça e amada!
Indiferente, forte,
Triunfar de quimeras enganosas
E ir dormir entre rosas
Frias rosas na face macerada
O alvo Sonho da Morte!
Morrer quando se é moça é dita imensa
Às eleitas cabida...
A ventura é perfume que se evola
E quase não consola...
Tão ligeira, tão leve, não compensa
Os espinhos da vida.
Morrer moça é morrer quando se deve!
É ser no último arranco
Da alma que foge, um lindo sol de estio
E, bem longe, o sombrio
Espetro da velhice a triste neva
Sobre o cabelo branco.
Morrer moça... É assim que vou morrer!
É a boca que, fremente,
Beijaste em horas de Paixão e Sonho
Num túmulo tristonho
Breve irá se ocultar no florescer
Do verão mais fulgente.




rubens pontes 
é jornalista,
poeta,
escritor,
historiador





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