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Aqui Rubens Pontes; Meu Poema de sábado - Traduzir-se, Ferreira Gullar

10 de dezembro de 2016
- "Utopista Oswaldo Oleare

A morte de José Ribamar Ferreira - Ferreira Gullar como passou à História - enluta a inteligência
brasileira. 

Escritor, poeta, compositor, tradutor, detentor do "Prêmio Camões" , a mais alta honraria
concedida a escritores da língua portuguesa, membro da Academia Brasileira de Letras, nome cogitado
mais de uma vez para o Prêmio Nobel de Literatura, Ferreira Gullar é considerado o maior poeta
do nosso tempo.

O Portal e a RCBM rendem homenagem à memória de Ferreira Gullar escolhendo para leitura
neste sábado "Traduzir-se", um poema que põe em cheque nosso lado obscuro,
desconhecido, capaz de gerar conflitos íntimos, uma guerra interior movida pela dualidade
de pensamento e postura diante da vida real.

"Traduzir-se" teve versão musical, com interpretação magistral do cantor Fagner (veja e ouça o vídeo no lá embaixo).

Tenhamos um fim-de-semana iluminado, que Brasília está mergulhada numa sombra cada vez mais inquietante..

Rubens

Obs. A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, na sessão
de quarta-feira última, justificando seu voto no julgamento de Renan Calheiros,
citou, en passant, versos de "Traduzir-se", de Ferreira Gullar...

TRADUZIR-SE

Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

Ferreira Gullar , Na Vertigem do Dia (foto), 1980.

Nota: A autoria do pensamento tem sido erroneamente atribuída a Oswaldo Montenegro.





Rubens Pontes 
é jornalista,
poeta,
escritor, 
entroutros títulos







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Andra Valladares

Nesse ano repleto de surpresas desagradáveis, para mim, a morte de Ferreira Gullar foi uma das maiores. No lançamento do meu CD interpretei duas obras desse grande poeta, a música "Traduzir-se", e "O Trenzinho do Caipira", música de Villa Lobos com letra de Ferreira Gullar. Felizmente, as criações são imortais. Portanto, ainda nos restará a vívida lembrança do poeta através da sua obra.

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