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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Soneto, Rubem Braga

21 de janeiro de 2017


- "Insuspeito Oswaldo Oleare

- É uma contradição, mas foi um tumor na laringe que fez silenciar o maior cronista brasileiro,
desde Machado de Assis, morto em dezembro de 1990.

- "O que ele nos conta é o seu dia, o seu expediente de homem, apanhado no essencial,
narrativa direta e econômica. Sua novidade perene está nessa adesão ao vivo, ao sonho e alienação.
É o poeta do real,do palpável, que se vai diluindo em cisma. Dá o movimento da realidade e o remédio para ela".

O texto acima é de Carlos Drumond de Andrade, e o personagem biografado é o cachoeirense Rubem Braga,
autor do meu poema deste sábado.

Os mineiros, tanto quanto os capixabas, têm especial orgulho pelo jornalista que atuou nos "Diários Associados" de Belo Horizonte, onde se casou em 1936 com a mineira Zora Seljan Braga, mãe de seu único filho, Roberto Braga.

Rubem Braga, primeiro à esquerda, com os correspondentes de guerra, na campanha da FEB

Introspectivo e amante da solidão, ainda assim foi amigo de Graciliano Ramos, dos mineiros Fernando Sabino e Otto Lara Resende.

Casa onde Braga viveu até aos 14 anos, tombada e um bem público de Cachoeiro de Itapemirim

Café Filho que, na presidência da República, o nomeou chefe do Escritório Comercial em Santiago do Chile. 
Jânio Quadros, leitor de suas crônicas, indicou-o para a Embaixada brasileira no Marrocos.

Com tudo isso, Rubem Braga (na foto, com o irmão Newton) nunca deixou de ser jornalista, marcando no jornalismo da TV Globo uma imagem
de "turrão, com uma veia extraordinária de humor, uma pessoa fechada, ao mesmo tempo poeta e poético", registrou seu companheiro Edvaldo Pacote, produtor de televisão. 

Era preciso ser muito seu amigo para que ele entreabrisse uma porta de sua alma. 

Teatro   Rubem   Braga, em 
                    Cachoeiro de Itapemirim


Rubem Braga só era menos contido com as mulheres. Quando não estava apaixonado por uma em particular, estava apaixonado por todas.

Despeço--me, OO, com os versos que convivem comigo há anos:

'... EU TAMBÉM FAÇO POEMA
ORA ESSA, QUEM NÃO FAZ:
BOTO UMA ESTRELA NA FRENTE
E UM POUCO DE MAR ATRÁS...

o abraço do Rubens".

SONETO

Rubem Braga

E quando nós saímos era a Lua,
Era o vento caído e o amor sereno
Azul e cinza-azul anoitecendo
A tarde ruiva das amendoeiras.

E nós respiramos, livres das ardências
Do sol, que nos leva à sombra cauta
Tangidos pelo canto das cigarras
Dentro e fora de nós exasperadas.

Andamos em silêncio pela praia.
Nos corpos leves e lavados ia
O sentimento do prazer cumprido.

Se a mágoa me ficou na despedida
Não fez mal que ficasse nem doesse
Era bem doce, perto das antigas.



Rubens Pontes
é jornalista,
poeta,
escritor,
Chef, enófilo e
pescador no 
Rio Araguaia

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