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Éder Júnior - o desafafo de um professor: "sinto que estamos sós"

6 de janeiro de 2017
Éder Júnior
3 h · Ibatiba ·

Somos professores e recebemos palpites e julgamentos de todo mundo.

Do ministro da educação, dos jornalistas, dos pais dos alunos, das famílias. 

Aquela piadinha que eu tenho regalias, duas férias por ano, que eu ganho bem , que eu não deveria me aposentar...

E a sensação que sinto é que estamos sós.

Queria mandar um "aguente firme" para os professores de verdade, aqueles que realmente amam a profissão.

- Pra você que dá aula em duas ou três escolas e almoça no caminho.
- Pra você que não consegue almoçar e engole um salgado enquanto assina o ponto. 
- Pra você que fica acordado na madrugada baixando vídeo e música pra usar na aula.
- Pra você que faz as cópias na sua impressora.
- Pra você que compra o material da aula com grana do seu próprio bolso.
- Pra você que passa do horário pra ajudar no evento.
- Pra você que passa o final de semana corrigindo.
- Pra você que leva as atividades na viagem do final de semana.
- Pra você que leva um lanchinho a mais na excursão, para o aluno que não tem condições.
- Pra você que compra livros pra turma.
- Pra você que vai trabalhar doente porque não quer deixar os alunos na mão aquele dia.
- Pra você que vê o aluno se perdendo na quebrada e tenta salvar aquela alma.
- Pra você que briga com a família dos alunos até levarem o mesmo no médico.
- Pra você que deixa seus problemas em casa, porque sabe que na escola tem abuso sexual e físico, fome, violência e doença pra mediar.
- Pra você que já teve o carro roubado indo pro trabalho.
- Pra você que já foi agredido fisicamente por alunos e familiares.
- Pra você que é xingado enquanto dá aula.
- Pra você que vê mais seus alunos que os seus filhos.
- Pra você que mesmo passando por tudo isso, não desiste.


- "Aguente firme": este país - que não te merece - precisa MUITO de você.
Então, professor , feliz 2017 (Éder Júnior).

No final, Éder sugere:

- Se você é professor e tem orgulho de ser, copie e cole no seu mural".

Pitaco do Oleari:

Desde que não me entendo por gente, assimilei que professor não é um burocrata (nada contra os burocratas conscientes, porque burocrata funcional é phoda, complica pracas a vida de meio mundo). 
Quero dizer com isso que professor, aprendi isso logo cedo, não cumpre horário de burocrata, tipo de meio dia às 18 horas.

O jovem professor Éder Júnior diz tudo aí. Tradução: professor é trabalhador de 24 horas. Neguim - neguim, branquelim, pardim e mulatim também - não saca que enquanto ele tá na boa, na aula, às vezes enchendo o saco do professor (a), este ficou horas em casa corrigindo uma porrada de provas, purinsemplu.


Ou lendo um trabalho pra sustentar uma aula. Ou pesquisando o iscambau a quatro pra se manter atualizado e não perder o pique do conhecimento.

A frase do lendário Nelson Mandela deveria estar inscrita na constituição. E deveria ser praticada à risca por este país de grandes ladrões institucionais, instalados em todas as instâncias dos podres poderes. 

Alguns, brilhantes, muito inteligentes, cujo contato com a vida fora de casa foi numa sala de aula com um professor. Ou uma professora. 

Como foi o meu caso, lá na roça, entre Itueta e Aimorés, na fazenda do seu Felipe, acima da Pedra da Lorena (foto): foi Dona Iracema, uma "normalista", dizíamos nós, admirados, que casara com o Valdir, filho do seu Felipe. 

"Aguente, firme", apela o Éder. E eu sugiro uma coisa simples: vamos inverter os salários: vereador passa a ganhar o salário do professor. E professor passa a ganhar salário de vereador. Com direito a aumentar o próprio no final de cada ano letivo (Oswaldo Oleari.

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