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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado - Os quatro cavaleiros, Fernando Achiamé

11 de fevereiro de 2017
- "Ufanístico Oleare:

O Rio nasce em Minas, percorre 853 quilômetros para abraçar o mar pouco além do antigo 
Barracão de Santa Maria do Doce, criando um elo entre dois Estados 
que superaram divergências para se tornarem irmãos.

Completa uma trilogia a homenagem prestada  a uma paulista de alta estirpe, poliglota, cantora lírica, 
neta materna do Barão de Paranapanema, esposa do governador Muniz Freire, nominando o pequeno núcleo

de Antônio Prado na moderna Colatina do nosso tempo, terra de políticos com projeção
nacional, escritores, jornalistas, como meu amigo Oswaldo Oleare, e poetas como Fernando Antônio Moraes Achiamé, professor da UFES, 
historiador associado ao Núcleo de Estudos e Pesquisas de Literatura do Espírito Santo - NEPLES-UFES, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Estado.

Enquanto você,  amigo e companheiro,  afaga a improvável ideia de il paesi natio,

leiamos "Os quatro cavaleiros", meu poema deste sábado, lembrando Rimbaud
com seu soneto das vogais (já publicado neste Portal).

Fernando Antônio Moraes Achiamé tem pelo menos dois livros de poesia

editados: "A Obra Incerta" e "Livro Novíssimo", ambos recomendáveis.

Abraço, Rubens".


Nota: não consegui a foto de capa de "A Obra Incerta" nem cum reza braba (Oleari).





Os quatro cavaleiros

Fernando Achiamé


Branco


Arcos de bambu demarcam a alegria:

São Pedro passeia na Praia do Suá.
Bandeirinhas em papel de seda nos espiam,
presas nos fios do momento.
A fartura de ser simples
lança logo o mal longe.
Sobram dois minúsculos hospitais.
Quem sabe dança quadrilha.
Quem não sabe dança também.
Os ventos nos são propícios.
Mares e nuvens, também.
Para o ano o camarão é certo,
certa a colheita do cação
em espertos pesqueiros.

Vermelho


Existe uma roça e ela tem nome:

Praia do Canto.
Há quem acenda fogueiras
no meio de ruas descalças
onde o bonde anda. Nada
perturba a paz das areias.
Peixinhos coloridos pegam larvas
nas valas a céu aberto.
Tanta manga faz lama.
Travam-se batalhas de rojões
comprados na venda do Zé Pretinho.
Vulcões de artifício, pequenos balões
iluminam a vida da gente.
Junto às brasas dormentes, São João
assa milho e batata doce.
Todo mundo se revê no ano seguinte,
mas não é a mesma coisa.


Preto


Barulhos vêm lá do fundo:

o Centro da Cidade come
carne no coração do Carnaval.
Desjejum na matinê do clube
com fantasia de pirata.
Almoço na rua, os dedos em riste.
Um porre o porre de cuba libre.
Jantar por três noites
no suor da namorada.
Sonha-se muito.
Blocos de sujo passam
a limpo desejos futuros.
Às vezes o pau quebra.
O Parque Moscoso abraça
apertado soldados e donzelas.
Sambamos por mais um ano
disfarçados de rei Momo.

Amarelo


Em Santo Antônio

um Santo Antônio travesso
pula por cima das covas:
a irmã comum de todos
ainda está bem nova.
Padres distribuem fartos
pãezinhos bentos
para colocar na farinha
e espantar insetos.
O santuário inocente
explode em festa.
Projetos de peitos enfeitam
as blusas das meninas.
A canjica já tem amendoim
e dois copinhos de quentão
bastam para colocar um fim
às angústias do ano inteiro.


Nossas infâncias fracassaram.

Outras crianças vencerão um dia
– Vitória completa – os quatro
horrores há tempos revelados.


Rubens Pontes 
é jornalista,
radialista,
poeta,
escritor,
doutor em
sabença 
e vivença




Pitaco do Oleari ou Oleare

Como disse outras vezes, Rubens Pontes, com seu Poema de Sábado, me estimula a ler outros dos autores que avalia, indica e publica aqui no Portal DOPC, além de uma intensa pesquisa por obras e mais informações sobre os autores.

Sábado passado ele me surpreendeu selecionando uma poeta que eu desconhecia completamente, a multimídia Aline Yasmin, capixaba vivendo nas Orora. Hoje, ele nos dá outro grande presente, indo ao acervo desse brilhante intelectual, meu conterrâneo da Rua da Lama, Colatina, nossa terra. 

Buscando fotos do célebre colatinense, que integra um elenco de intelecquituais da mais fina flor do saber da Capitania do ES, encontrei essa daí e não resisti.

Ahhhh, pensei, eu, um matuto anarfa from Rua da Lama, tenho que desfrutar da companhia das celebridades veizincando. 

Na foto, o ótimo baterista Olney Figueiredo (Carangola, MG), o professor, escritor e crítico de jazz Érico Cordeiro - foi no lançamento do seu livro aqui hás uns não me lembro quantos anos - o intrometido colunista e nosso historiador, Fernando Achiamé, que, entre outras excepcionais qualidades, ainda cultiva um refinado senso de humor e é sempre muito afetivo com os circunstantes. 

Brigaduuuuuuú, Rubens Pontes, por mais este presente de sábado (Oswaldo Oleari ou Oleare, para o feissibuqui). 

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