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Aqui Rubens Pontes / Meu poema de sábado - Três poemas de Marly de Oliveira, da capital secreta para o mundo

18 de fevereiro de 2017
O jornalista, poeta e escritor Rubens Pontes homenageia Cachoeiro de Itapemirim, celeiro de grandes nomes, inclusive da poeta que ele escolheu para este sábado.

- "Sobreposto Oswaldo Oleare

Cachoeiro do Itapemirim, a "Capital Secreta do Mundo" como a definiu Vinicius de Moraes,
se orgulha por mil motivos de seus filhos ilustres.

Lá nasceram o imortal cronista Rubem Braga, o fascinante poeta Benjamin Silva,
o compositor Raul Sampaio (autor de "Meu pequeno Cachoeiro"), o cantor Roberto Carlos,
a naturalista Luz del Fuego, o apresentador e compositor Carlos Imperial, o ator Jece Valadão,

a atriz Darlene Glória, a intérprete da "Bossa Nova" Nara Leão, o ator Luciano Vianna, a multi-mídia Elisa Lucinda...

Foi Cachoeiro do Itapemirim também a terra natal de uma das maiores poetas brasileiras
através dos tempos: Marly de Oliveira.

Clarice Lispector escreveu sobre ela, no prefácio de um dos seus 17 livros de poesia publicados:

- "Vou apresentá-la com grande alegria: trata-se de um dos maiores expoentes da nossa atual geração de poetas,
que é rica em poesia. Além de poeta, faz crítica da maior erudição, grandeza e sensibilidade".

Professora e ensaísta, formada em Letras Neo-Latinas, aprimorou seus estudos da língua em Roma.
Alguns de seus poemas, escritos em italiano, foram motivo de elogios de críticos europeus,
admirados com a fluência com que dominava o idioma.

- "É um milagre: simplesmente poesia em um italiano luminoso", sentenciou o crítico Giuseppe Ungaretti (na foto, Ungaretti com Marly Oliveira).

Manuel Bandeira, confesso admirador de seus poemas, foi um dos padrinhos de seu casamento
com João Cabral de Melo Neto (na foto, o casal ladeado por Clarice Lispector e Manuel Bandeira), outro intelectual que se projetou no cenário das letras brasileiras.

Este Portal e a Rádio Clube da Boa Música recomendam, com ênfase, a leitura da fascinante obra (e vida) de Marly de Oliveira,
uma cachoeirense que iluminou as letras brasileiras com seu invulgar talento poético..

Prêmio "Alphonsus de Guimarães", do Instituto Nacional do Livro e Prêmio Jabuti, em 1998,
é a autora escolhida para a leitura deste sábado.

Irresistível: são três poemas irretocáveis.

Marly de Oliveira faleceu no Rio de Janeiro, em 2007, aos 71 anos de idade.

Rubens".

Três poemas de Marly de Oliveira.


INSCRIÇÃO

Eu. E diante da vida,
com meu azul intacto.
um esbatido de pássaros.
Alto no vento. Grato.

A sensação de ser
só, uno, um, completo.
No redondo das horas,
pleno, lúcido, cego.

O que em mim salvando
se vai a cada instante,
nesse morrer diário
e sucessivo: um canto.


EPIGRAMA

Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.

Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranquilo
diante da vida e da morte.


RETRATO

Deixei em vagos espelhos
a face múltipla e vária,
mas a que ninguém conhece
essa é a face necessária.

Escuto quando me falam,
de alma longe e rosto liso
e os lábios vão sustentando
indiferente sorriso.

A força heroica do sonho
me empurra a distantes mares,
e estou sempre navegando
por caminhos singulares.

Inquiri o mundo, as nuvens
o que existe e não existe,
mas, por detrás das mudanças
permaneço a mesma, e triste.

Nota da RCBM: vários poemas de Marly de Oliveira foram musicados por Eduardo Santhana.



rubens pontes 
é jornalista,
poeta, 
escritor, 
descobridor,
doutor
em sabença

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Olney

Realmente maravilhosos os versos de Marly de Oliveira. Com o casamento com João Cabral de Mello Neto, a literatura ganhou um sensacional "plus".

Don Oleari

Brigaduuuuuuuú, Nosso Braga de Colatina, pela participação. Abração do Oleari e do Rubens Pontes.

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