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Aqui Rubens Pontes - Meu poema de sábado / O colóquio das águas (O rio e o mal), Afonso Cláudio de Freitas Rosa

25 de fevereiro de 2017


- "Desbravador Oswaldo Oleare:

Os anais  da História  do Espírito Santo  mantém  capítulos  para registrar a participação
 de figuras singulares nos vários campos da atividade humana que abriram,
com sua inteligência,  presença e atuação, os caminhos para o melhor futuro do Estado..

Afonso Cláudio de Freitas Rosa foi um deles.

Considerado o maior intelectual capixaba
no final do Século XIX, escreveu dezenas de livros no campo do Direito, campanha
abolicionista,  folklore,  história.

 Professor de Direito na Faculdade de Niterói, membro fundador do
 Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo e da Academia Espírito-Santense de Letras,
desembargador do Tribunal de Justiça do Estado, sua  campanha para a implantação
 de um  novo regime político no País fez dele o primeiro governador do Espírito Santo
 no Brasil Republicano, nomeado em 1899 pelo presidente marechal  Deodoro da Fonseca.

Monumento em homenagem a Afonso Cláudio na Praça Costa Pereira, centro de Vitória/ES.

Tudo isso é História que os capixabas conhecem e 
reverenciam. 

Mas certamente nem todos
sabem que esse filho de Mangaraí, município de Cachoeiro de  Santa Leopoldina,
onde nasceu em 1859, foi também um dos maiores poetas brasileiros do seu tempo.

Casarão onde nasceu Afonso Cláudio em Mangaraí, Santa Leopoldina - Foto: Apoena

Afonso Cláudio, hoje nome de cidade (terra natal da minha amiga, a jornalista Lena Mara),
é o autor do poema selecionado para leitura neste  sábado.

(Você vê, como eu, alguma semelhança de estilo com o grande poeta Gregório de Matos?)
Abraço, Rubens".


O colóquio das águas (O rio e o mal)

Afonso Cláudio de Freitas Rosa

I

Da penedia a prumo, desprende-se a torrente
De níveas águas, frígidas, cortantes,
Que rolando nas arestas penetrantes
Dos seixos, modelam em terra o leito da corrente.

E daí a sangrar por solidões distantes,
Vem a úmida caudal lutando, frente a frente.
Com as silvas agrestes e os robledos gigantes
Que o turbilhão solapa em cólera fremente.

Depois, esses despojos lança ao mar,
Pondo remate aos transes do lidar
Incessante e contínuo da matéria;

E qual se em meio amigo penetrara,
O vassalo ao castelão assim notara
O contraste da grandeza à vil miséria;

II

— Quão venturoso és  tu, ó velho sonhador!
Que nas areias límpidas, silentes,
Os flancos moves e aos largos continentes
Pródigo distribuis a quentura e o frescor!

— Engano teu, vilão! Em toda a parte a dor —
Diz o mar — transborda como tu em túrgidas enchentes;
Se o visco da lesma conspurca e tisna a flor,
Que outra sorte reservas ao resto dos viventes?

Por sobre o dorso meu repontam as quilhas;
Em revoadas se abatem sobre as ilhas
Aves que sulcam do espaço as amplidões.

E enquanto sobre mim deriva a vasa impura
Das cidades, os crustáceos revolvem a lama escura,
Que a terra expele e em ígneas convulsões!






Rubens Pontes
é jornalista,
radialista,
publicitário




Poesia todo dia - Rádio Clube da Boa Música, segunda a sexta, 7h57m.

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