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Leonece Barros: Efeitos colaterais afetando Polícia Militar do ES

14 de fevereiro de 2017
Confesso que me causa espécie esse quebrantamento exacerbado no estado de espírito de muitos policiais militares. Durante o vigor das manifestações,
vimos oficiais dando pane na postura sempre viril e austera que lhes é comum.

 Agora nos chega a notícia que homens do Batalhão de Missões Especiais
- BME, verdadeiros robôs, que passam por duro treinamento e são submetidos a situações de intenso rigor psicológico, estão vitimados por assédio
psicológico e moral praticado pelos comandantes e superiores, ao ponto de ensaiarem suicídios. 

Talvez por desinformação eu alimente impressão errônea sobre a real seleção e formação desses homens de ferro.
Homens disciplinados e bem formados como temos a impressão que são, a partir de agora os militares serão submetidos aos efeitos colaterais
comum ao fenecimento do movimento paredista que engendraram. 

Eles, melhor que todos nós civis, sabiam e sabem que muitos abnegados e
austeros superiores não entenderiam com facilidade as quebras da ordem e obediência à hierarquia registradas durante o auge da paralisação.

No BME, além da pressão a que muitos estão sendo submetidos, o batalhão ao que demonstra, não está coeso.

A tortura psicológica sofrida, conforme denunciam, demonstra que há um distanciamento gritante entre a tropa e os tropeiros. Na ponta da Polícia
Militar estão os cabos, soldados e sargentos. Essa turma é que pega no chifre do boi, é a que sente na pele o dia a dia no enfrentamento das
adversidades para manter a todo custo o império da sensação de segurança. No entanto, reveza coletes suados e vencidos e amarga o embate
desigual com a criminalidade, a tirania dos superiores e os salários minguados e desalinhados. 

No topo, os insensíveis e bem remunerados torturadores.

Fica difícil a gente entender que a vaidade da superioridade formal e moral de comandantes e superiores esteja acima da camaradagem,
companheirismo, lealdade e compressão para com a tropa. Talvez eles confundam comandar com déspotar; que liderança e comando tem
que ser antagônicos ou confundidos.

Quem sabe seria prudente ouvirem Lao Tsé dizer a alto e bom som que “para comandar os homens,
marcha atrás deles”. Tenho dito! 


(Leonece Barros 14/02/2017)




Leonece Barros
é radialista,
jornalista

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