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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Obrei quanto o Discurso me Guiava", Tomaz Antônio Gonzaga

22 de abril de 2017



Retrato do poeta luso-brasileiro Tomás Antonio Gonzaga, baseado numa gravura do século XIX.



- "OO

A propósito das comemorações de ontem, 21 de abril, honrando a memória de Tiradentes,  vale evocar

aquele histórico período da vida brasileira  que, ao correr do tempo, iria implodir na Independência
do Brasil.

A descoberta do ouro nos  ribeirões da Serra do Sabarabuçu  deflagou  a cobiça portuguesa
com a implantação de impostos que fariam, hoje, todos nós ficarmos envergonhados com nossa

indignação:

- Regimento das Minas, Direitos de Entrada, Direitos de Passagem, Donativos para a Reconstrução

de Lisboa (devastada por um terremoto), Dízimo para a Igreja Católica, tudo isso se domando aos

impostos locais, aos vinte por cento de todo o ouro encontrado para a Coroa Portuguesa.





"Resposta de Tiradentes à comutação da pena de morte dos Inconfidentes"



Entre 1701 e 1800, à flor da terra ou nos ribeirões que corriam nas Gerais, foram recolhidos mais

de 840 mil quilos de ouro, e, quase à flor da terra, cerca de 3 milhões de quilates de diamantes.

Para nós, brasileiros, o lado bom sobre os buracos deixados  pela desenfreada cobiça

foi o surgimento de vigoroso movimento cultural em Vila Rica, Ouro Preto dos nossos dias,

com a criação da Escola Mineira onde pontificaram Cláudio Manoel da Costa
e Tomaz Antônio Gonzaga,  envolvidos tempos depois no movimento da Inconfidência liderada por Tiradentes.

Uma época em que a elite ouropretana ouvia, em concorridos saraus, Haydn, Mozart, Haendel...

Nosso poema deste sábado é uma homenagem do Portal Don Oleari Ponto Com  e da vitoriosa Rádio Clube da Boa Música

aos pioneiros da nossa libertação  e do martírio imposto a Tiradentes:

Com tênue esperança numa nova libertação  deste nosso amado e sofrido Brasil,


Rubens".

 "Obrei quanto o Discurso me Guiava"

Tomaz Antônio Gonzaga.


Obrei quanto o Discurso me Guiava
Obrei quanto o discurso me guiava,
Ouvi aos sábios quando errar temia;
Aos bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava,
Mais duro, ou pio do que a lei pedia:
Mas devendo salvar ao justo ria,
E devendo punir aos réu chorava.

Não foram, Vila Rica, os meus projetos,
Meter em ferro cofre cópia de ouro,
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras são as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer destes bens melhor tesouro.

Tomás António Gonzaga, in 'Antologia Poética'






Rubens Pontes
é jornalista,
radalista,
publicitário

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