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Aqui Rubens Pontes: Meu poema de sábado / Declaração de amor, Carmélia Maria de Sousa

29 de abril de 2017
- "Historiógrafo Oswaldo Oleare

Meu poema deste sábado deve ter a participação de quatro mãos e duas cabeças sem que, com isso, se levante a imagem de
uma figura mitológica capaz de amedrontar os
mais jovens, se é que alguma coisa nestes tempos em que o mundo orbita meio perdido haja mais
alguma coisa para assustar alguém.

Explico: jornalista de épocas vencidas, leio, com interesse sempre atual, instigantes crônicas atemporais,
e quase diria trágicas, de uma jornalista capixaba 
chamada Carmélia de Sousa. 

Sobre ela como pessoa, uma controvertida figura humana, quase nada sei.

Você, OO, contemporâneo dela, certamente sabe.

Então, pensei, 
quem melhor do que o companheiro
jornalista também cronista  (romântico, quase
lírico,  que procura em vão escamotear suas emoções)

para nos dizer quem foi ela e, sobretudo,
o que sua passagem 
no jornalismo e na vida da cidade
representou para nossa cultura?

Antes do poema, pois, a vez e a voz de Oswaldo Oleare.


O plural, múltiplo e superlativo Rubens Pontes - Diagonal


Começo por mostrar um linki em que tentei homenagear o Rubens Pontes no seu aniversário, em 14 de dezembro passado.

Ao chegar ao final do texto em que ele me intima a dizer coisas sobre Carmélia Maria de Souza, não tive como não cair na gargalhada. E dizer bem alto, falando comigo memo:

- "Fiudaputa, esse Rubens...sacanagem desse Rubens - e continuei kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk".

Mas, pola - quinemqui diz meu amigo turquim da feira - se não fizer, a coluna Aqui Rubens Pontes: meu poema de sábado fica "quebrada".

Respirei fundo e fui ver nos chipis dusbão que ainda me restam algum registro sobre a jornalista que Rubens reverencia neste sábado.

Carmélia foi phodaça. Por trás daquela boemia toda, estava uma dona que revolucionou os costumes, fez a mulher emergir daquele palco de coadjuvante pro primeiro plano da protagonista.

Vou parar um tiquim aqui pra pensar bem nuns troços que vou acabar dizendo sobre a jornalista, cronista, ente social de expressão maior do seu período percorrendo redações, clubes, bares, vielas, ruas e praças da província.

Que ela contribuiu pra tornar menos província. Os embabacados do ritmo à época se escandalizavam com aquela mulher que não escondeu de ninguém porque tinha vindo.

Que chegou fazendo um formato de coluna social no velho jornal O Diário, e foi ficando, escrevendo e revelando o que tinha a mais a dizer ao mundo, além das notas sociais sobre os colunáveis da época, frequentadores dos melhores clubes - Clubes Vitória, Álvares Cabral, Saldanha da Gama, Praia Tênis, Iate Clube...

Carmélia pegou as zelite pelo pé, ela mesma membro de uma família de projeção, e entortou geral. Nesses clubes, as famílias e suas moçoilas debutantes em rodados vestidos de organdi e rapazes enfeitados de gravatinhas borboletas eram o tema da coluna social e, ao mesmo tempo, a antítese da outra Carmélia, cronista, poeta, escritora, destilando um texto que envelhecia muito do que então se escrevia no entorno.

Veio pra isbagaçá, mudernizá, escandalizá, e fincar o mastro do lá pra frente em lugar do escrito rançoso, rebuscado, cheio de poeira.

Carmélia integrou um elenco que virou a página e modernizou o texto, a fala no rádio, atualizou o teatro, fez cinema, fotografia, começos da televisão nativa.


Balé da Ilha reverenciou Carmélia

Éramos muito amigos, muito afinados. Levei-a várias vezes, junto com Luiz Paixão, ao então "Clube da Boa Musica", super campeão de audiência na Rádio Capixaba, onde estavam outros do elenco mencionado - Eleisson de Almeida, Penna Filho, Nabor Vidigal, Eurides Gagno, Edmar Lucas do Amaral, José Carlos Stein, entroutros.

Homenageio meu caríssimo parceiro Rubens Pontes pelo seu esmero em garimpar nomes de relevo da cultura do ES e por trazer neste sábado a notável Carmélia Maria de Souza novamente ao nosso convívio.

Carmélia, que contribuiu pra mudar cenários, comportamentos, linguagem, num tempo de muda (Oswaldo Oleari ou Oleare).

Declaração de amor

Carmélia Maria de Sousa

E depois de tudo isto, veio a chuva – Você se lembra?
E então eu te pedi que não tivesse medo. Você riu. Riu de medo.
 Eu fiquei com pena de te querer tão sem medo e tanto que te cobri com minhas mãos, com meus braços, com minhas palavras com meu silêncio, enfim.
E depoisa gente passou a respirar juntos.
A dizer, calados, as mesmas palavras.
A ouvir as mesmas palavras.
Te lembras?
[...]
- Diz que me ama – eu te pedi.
- Não tenho certeza – você falou.
- Diz que me ama.
- ...
Olha, não tenho medo, não tenho nada.
 Eu tenho tudo e tudo isso é nosso, porque é meu e porque o que eu sou é você, e o que você é sou eu.
Então, tudo o que a gente tem, consequentemente, é de um e é do outro.
 É de nós. Por exemplo: esse amor. Esse medo. Esse desespero. Essa aflição. Esse mar.
 Essa Maria Betânia cantando. Essa casa cheia de amor, esse vento que vem do mar e do mundo. Essa desordem gramatical. Essa saudade.

[...] Eu não te vejo agora, meu amor. [...]
Então – imagine- eu te vejo e te sinto do meu coração. Do meu sorriso. Do meu pranto. Do barulho do mar indo e vindo. Eu te vejo e te sinto em tudo o que está em volta e dentro de mim. De mim- eu que não sou gaveta, nem barco parado, sem rumo. Eu, que sou apenas Carmélia Maria de Souza. E te amo. Te amo baixinho à beça.



rubens pontes
é jornalista
radialista,
assessor de comunicação empresarial
garimpeiro
cultural




No saiti da poeta Renata Bonfim http://www.letraefel.com/2011/05/ 
http://www.letraefel.com/2011/05/ encontramos este vídeo com uma biografia de Carmélia Maria de Souza.

Veja Rubens Pontes e o trabalho sobre Ranta Bonfim em (http://nageral.donoleari.com.br/2017/04/aqui-rubens-pontes-meu-poema-de-sabado_8.html) 

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José Carlos Oliveira Prederigo

Linda e merecida homenagem, essa Carmélia é uma delícia !

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