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Leonece Barros: “Colatina ficou devendo homenagens à Rádio Espírito Santo” / Relembrando enchentes de 1979

4 de abril de 2017




Foi um período de trabalho abnegadamente envolvente, de um profissionalismo altamente altruísta, com emoções tão intensas e até então não vividas por mim no rádio-jornalismo. 

Sofri arrepios à simples leitura do texto de Oswaldo Oleari, relembrando a retumbante atuação de toda equipe da Rádio Espírito Santo durante a catastrófica enchente de 1979.

Naquele dia eu cumpri meu horário regulamentar de trabalho no período da manhã, depois de ter levado o famoso National de quase três quilos para a base dos radioamadores, acho que numa residência em Jardim da Penha, para acompanhar com eles as informações vindas de outras cidades ao vale do Rio Doce, castigadas pelas águas. 

Eles eram a forma de contato mais facilitada que tínhamos disponível. Nem sonhávamos com a internet, nem celulares ou Facebook. Em algumas cidades, o mais comum eram os postos telefônicos, que nos permitiam ligações com hora marcada.

No mesmo dia, a movimentação no aeroporto de Goiabeiras era intensa. Aviões búfalos da FAB traziam famílias resgatadas no interior, para casas de parentes na Grande Vitória e levavam suprimentos para o socorro dos desabrigados. 

Foi num deles, sem meu arrojado chefe de jornalismo saber ou autorizar, embarquei com meu gravador “Nationalzão” e fui sobrevoar o vale do Rio Doce. Em Colatina, via-se do alto, com dificuldade o teto da rodoviária, que coberto pelas águas do transbordante Rio Doce, aparecia e sumia ao marolar do aguaceiro.

Saltei em Baixo Guandu, fui a pé e de canoa a Aimorés; falei com famílias desesperadas gravando recados para os parentes, enviando mensagens, fazendo apelos. Demorei até o dia seguinte por lá, porque os governadores Élcio Alvares e Francelino Pereira iam se encontrar na cidade e conversariam sobre apoio bilateral de socorro aos desabrigados nos dois estados.

Eles se encontraram no campo de aviação em Baixo Guandu. Foi preciso o governador Élcio Alvares interceder para o governador de Minas Gerais falar ao meu gravador, porque o repórter da rádio Espírito Santo estava molhado e muito sujo de lama, pelas caminhadas nas comunidades da região, e o governador resistiu à minha abordagem. 

-  Élcio Falou: “ Não, governador, ele é repórter da nossa rádio oficial, embora todo cheio de barro”. Aí brinquei: 

- “O que me é comum, governador. Meu nome é Leonece Barros”. Ele riu e relaxou!

Eu já havia solicitado, mais cedo, um horário no posto telefônico de Baixo Guandu. Precisava manter contato, dar notícias ao chefe de jornalismo, e fazer um flash para a emissora. Só consegui falar por volta das 14 horas. Só então o arrojado Oswaldo Oleari se acalmou com o meu sumiço. Ninguém sabia de mim e eu havia faltado ao horário regulamentar de trabalho na emissora.

Tínhamos na Emissora, um jornalista chamado carinhosamente de Luiz Emoção, in memoriam. Ele fazia uma revista da semana na RES. Passada aquele período da avalanche e movimentação frenética na rádio, ele fez a edição sobre o período da enchente e a fantástica cobertura do rádio jornalismo.

A abertura da revista foi com o seguinte recado do professor Equimar (de Baixo Guandu) para a cunhada dele, Norma Amorim, que estava em Vitória. 

- “Ô Norma, é Equimar. Olha, pode falar com o pessoal aí que não fique preocupado, porque apesar de tudo, está tudo bem aqui”. Ele é meu amigo e ela também. Norma, inclusive, tinha sido até minha namorada, nos bons tempos de Baixo Guandu.


Ao fim, concordo com o chefe Oleari: 

- “Colatina ficou devendo homenagens à Rádio Espírito Santo”. Tenho dito! (Leonece Barros 30/03/2017)



Leonece Barros
é jornalista
advogado




Pitaco do Oleari: 

O colega Leonece Barros revelou-se excelente repórter, ágil, inteligente, criativo. Integrou uma equipe top de linha que juntamos no Departamento de Jornalismo da Rádio Espírito Santo naquele período.

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